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Educação contra as drogas

June 27, 2017

 

Ontem (26) foi celebrado em todo mundo o Dia Internacional de Combate às Drogas. Saber de antemão se alguém tem predisposição para se tornar dependente ainda não é possível, apesar de haver indicativos de uma certa hereditariedade. Mas há formas de prevenção que podem ser adotadas no âmbito familiar e que amenizam, desde cedo, os riscos do primeiro contato com as drogas. Para quem já apresenta o problema, psicoterapia, uso de medicamentos e imersão numa clínica especializada são opções disponíveis. Mas como forma de prevenção, educação ainda é o melhor remédio.

A psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de Dependência Química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e diretora da Espaço Clif, afirma: uma pessoa só pode ser levada à dependência química quando há recompensas instantâneas. Dessa forma, o cultivo de hábitos saudáveis, que levem a prazeres obtidos mais a médio e longo prazos – e não de forma imediata - funciona como uma espécie de proteção.

 

O que acontece, de acordo com a especialista, é que a modernidade e a pós-modernidade fizeram o homem criar substâncias e processos que oferecem prazer cada vez mais instantâneo em diversos aspectos da vida, e que vão além das drogas. Alimentos processados com maior teor de gordura e açúcares, lojas com trilha sonora alta e em ritmo acelerado que incentivam o consumismo, anúncios publicitários cada vez mais elaborados que tornam mais tentadores os processos de compra também aceleram a sensação de recompensa.

 

“Temos, no cérebro, a região subcortical, que faz parte do centro de recompensa e busca o prazer. Por outro lado, nosso córtex frontal, uma instância cerebral mais evoluída, atua como uma espécie de freio para esses prazeres. Ou seja: a parte mais primitiva diz ‘Eu quero’, e a outra diz ‘Não devo’”. Explica Analice. “Quando você alimenta uma, enfraquece a outra. Infelizmente, a sociedade está perdendo os freios”.

 

Bons exemplos em casa

 

Para prevenir crianças e jovens de terem acesso às drogas e ao risco de criarem dependência, Analice recomenda bons exemplos, especialmente vindos dos pais. A psiquiatra é taxativa:

 

“Beber e fumar na frente das crianças devia ser até proibido, principalmente no ambiente familiar. O exemplo que vem de casa é fundamental para o futuro das crianças e jovens”.

 

Supervisora do setor de Dependência Química da Santa Casa de Misericórdia do Rio e também diretora da Espaço Clif, a psicóloga Elizabeth Carneiro reforça a questão familiar como fator importante de prevenção:

 

“Cultivar a saúde e os bons hábitos em casa é muito importante”, recomenda Elizabeth. “A prática de exercícios físicos e passeios agradáveis em família e com amigos é um exemplo de atividade saudável, que fornece recompensas mais a médio e longo prazos e fortalece laços mais profundos de relacionamento, saindo da superficialidade”, afirma a psicóloga.

 

Tabaco

 

Em relação ao cigarro, campanhas restritivas ao uso do produto no Brasil vêm apresentando bons resultados. Em 25 anos, o percentual de pessoas que fumam no país caiu de 29% para 12%. Mas ainda somos o 8º no ranking mundial de fumantes. Ao todo, quase 20 milhões de brasileiros são viciados em nicotina, sendo 7,1 milhões de mulheres e 11,1 milhões de homens. Os dados são de pesquisa publicada na revista científica The Lancet (abril/2017).

 

Também diretora da Espaço Clif, a psicóloga Sabrina Presman afirma que o tratamento para largar o vício é multidisciplinar, e que a imersão numa clínica pode dobrar as chances de quem quer parar.

 

“A internação auxilia também na reprogramação mental de quem quer superar o vício em cigarro. Orientamos sobre as diversas técnicas para os pacientes se manterem longe do fumo, sendo que cada um tem uma prescrição conforme a sua realidade. Junto à medicação, mais o trabalho do nutricionista, evita-se com mais chances as recaídas”, diz Sabrina Presman, especializada em Dependência Química pela Uniad/Unifesp.

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