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ABI: uma reação pela democracia forte


Jornalistas e lideranças políticas de diferentes correntes ideológicas em debate virtual pela democracia (Reprodução)

Em movimento histórico de união, lideranças políticas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, de diferentes correntes ideológicas, se reuniram virtualmente nesta quarta-feira (3) em defesa de uma imprensa livre como pilar fundamental da democracia.

Apoiado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), o ato ”Imprensa Livre, Democracia Forte” é uma reação aos ataques proferidos pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, contra atuação livre e isenta de veículos de comunicação no Brasil.

Paulo Jeronimo, presidente da ABI

“Encontro consagrador”, definiu o presidente da ABI, Paulo Jeronimo, coordenador do evento. Jornalistas e políticos participantes destacaram a liberdade de imprensa como pré-requisito para a manutenção do estado democrático de direito e defenderam a adoção de medidas capazes de garantir que jornalistas não sejam cerceados em sua função essencial de informar.

Paulo Jeronimo destacou a importância do evento, onde “lideranças políticas deixaram de lado as naturais e democráticas divergências nos embates políticos e se uniram compromissadas com os princípios democráticos e com o bem-estar dos brasileiros, ajudando a tirar o país da terrível situação em que se encontra”.

Também foi lembrada a brava atuação da ABI, que nos seus 112 anos de existência, defende intransigentemente a democracia, as liberdades de expressão e de imprensa e os direitos humanos, tendo participado ativamente de importantes momentos da História do Brasil.

“Foi na ABI, gestão do grande Barbosa Lima Sobrinho, nosso maior inspirador, que se iniciou o movimento de combate à ditadura. Foi também na ABI que nasceu o movimento Diretas Já, que viria culminar com o fim da ditadura”, destaca Paulo Jeronimo, ressaltando ainda o trabalho dos jornalistas, que enfrentam ataques do presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores, e, em meio à pandemia devastadora que já matou mais de 30 mil brasileiros, informam à sociedade o que está ocorrendo em todo o País.

Reunião de desagravo

As jornalistas Patrícia Mello Campos e Vera Magalhães e o fotógrafo Dida Sampaio, alvos diretos de ataques recentes do regime bolsonarista, foram destacados pelo líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon. Por meio desses profissionais, Molon homenageou a imprensa brasileira. “ É inacreditável o que está ocorrendo no país. Ataques à imprensa são ataques a todos nós”, disse. Segundo ele, “liberdade de imprensa está para a democracia assim como o alimento está para o corpo”; fundamental à vida. Para seu colega de Partido, o líder no Senado, Veneziano Vital do Rego , “esta é uma reunião de desagravo”.

Jornalista Tales Faria

“Somente com uma imprensa livre o país poderá ter uma democracia forte”, completou Carlos Zarattini (PT-SP), líder da Minoria no Congresso , alertando para as “ameaças à liberdade de expressão e à democracia neste governo Bolsonaro”. No mesmo tom, o líder da minoria na Câmara ,José Guimarães (PT/CE), defendeu unidade das forças de Oposição em torno da democracia. Para o deputado Paulo Pimentel, também do PT, “juntos vamos construir a resistência democrática”.

‘Forças armadas não são puxadinho’

A tentativa do governo de silenciar a imprensa, considerada pelos participantes “um caminho do golpe que Bolsonaro deseja” , foi duramente criticada pela líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (PCdo B): “As Forças Armadas não são um puxadinho da Presidência da República . Elas representam a defesa do Estado”.

A líder da Rede na Câmara, Joenia Wapichana – uma das poucas representantes indígenas no Congresso, não tem dívidas de que Bolsonaro quer implementar o estado autoritário no Brasil. É preciso resistir. Já o líder do PV na Câmara, professor Israel, considera que “estamos lidando com forças organizadas, num movimento articulado internacionalmente de ataques a entidades democráticas”. Também a senadora Eliziane Gama, líder do Cidadania, alertou para a “escalada autoritária desse governo”.

Para a líder do PSOL na Câmara, Fernanda Melchionna, o Brasil enfrenta hoje dois vírus: o Covid -19 e o bolsonarismo.

Entre as medidas defendidas para combater a violência contra jornalistas , o líder do PDT na Câmara, Wolney Queiroz, citou projeto de lei, em tramitação no Congresso, que torna mais graves as punições a ataques à imprensa e jornalistas.

Os atos de agressão à imprensa, contabilizados pela Fenaj, foram citados pela presidente da entidade , Maria José Braga. Em 2019 , casos de ataques a jornalistas e veículos de comunicação cresceram 54%a na comparação com 2018. Desse total, 58% foram proferidos pelo presidente Bolsonaro. Nos primeiros quatro meses de 2020, foram registrados 179 ataques por parte do presidente da República. Para Maria José, o aumento de número de agressões deve-se à institucionalização da violência por meio do presidente.

A jornalista Cristiane Sampaio, do Brasil de Fato, lembrou que o Brasil é signatário de tratados e acordos internacionais que garantem o exercício livre de imprensa. Eles têm que ser respeitados”, afirma.

“A função do jornalista é a mais nobre que conheço porque distribui informação”, disse Tales Faria, do Uol, lembrando que “o primeiro ataque de todo ditador é contra a liberdade de imprensa, pelo domínio da informação”. Edson Sardinha, do Congresso em Foco, defende grande mobilização contra os ataques à democracia e ao direito de bem informar.

A jornalista Cristina Serra, colunista da Folha de S.Paulo, destacou a “atuação valorosa” da ABI na luta histórica pela liberdade e democracia. Citou a Constituição de 1988 e a célebre frase de Ulysses Guimarães – “Tenho ódio e nojo de ditadura” – que trouxe à principiante jornalista na época a esperança por liberdade . “Isso não pode ser ameaçado”, frisou.

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