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Arcebispo de Aparecida critica recordes de queimadas


Dom Orlando Brandes criticou as queimadas: "Não deixai que nosso Brasil se perca nas chamas" (Reprodução)

Sem a presença de romeiros dos anos anteriores, imposta pela pandemia, a principal celebração de 12 de outubro na Basílica de Aparecida teve como destaque as críticas do arcebispo Dom Orlando Brandes às queimadas na Amazônia e no Pantanal. Sem citar o governo na missa solene do Dia da Padroeira do Brasil, o arcebispo de Aparecida disse no sermão: "Não deixai que nosso Brasil se perca nas chamas. O Pai disse assim: Faça-se as árvores e o homem ganancioso disse cortemos as árvores". Ele também criticou as fakenews, idolatria de autoridades e feminicídio.

A Floresta Amazônica brasileira e o Pantanal sofrem com recordes históricos de queimadas. Segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de focos de incêndio na Amazônia até setembro é o maior desde 2010. No Pantanal, é o maior número desde 2005.

Em discurso na ONU, o presidente Jair Bolsonaro disse em setembro que o Brasil é 'vítima' de 'brutal campanha de desinformação' sobre Amazônia e Pantanal e culpou índios e caboclos pelas queimadas. Mais de uma vez Bolsonaro disse que a Amazônia 'não pega fogo'.

Dom Orlando Brandes ainda pregou no sermão na Basílica de Aparecida: "Vamos usar a veste da verdade, não de fakenews, não de mentiras, a couraça é nossa justiça, diz Paulo apóstolo. Justiça para ver menos desigualdades sociais. Nas nossas mãos, a espada do espírito para a gente então se despir de tudo que é idolatria. Às vezes idolatramos até pessoas, raças, autoridades. Tomam o lugar de Jesus esses ídolos que nos destroem. Diz Paulo, temos os pés calçados com a paz. Por isso é preciso exorcizar o feminícidio, tudo que é tipo de violência".

Mais uma vez sem citar o presidente da República, que passeou de motocicleta no Guarujá no último sábado enquanto o Brasil chegava à marca de 150 mil mortos na pandemia, o religioso de Aparecida lembrou as vítimas e se solidarizou com as famílias que perderam seus entes queridos: "É muito luto, é muita lágrima. A não ser que não vivamos no Brasil. É preciso sentir a dor desse povo. Porque órfãos aumentaram, pessoas viúvas estão a sós. Quanta dor, quanto sofrimento. [Maria] Dai colo, protegei no seu manto de ternura esse povo tão sofrido e agora vítima da pandemia", suplicou.


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