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Aviso à China? Araújo diz que economia está centrada em um país antidemocrático

Fala de chanceler brasileiro na reunião de "bordel", mesmo Pequim sendo o principal parceiro comercial do Brasil no mundo.

Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil (Agência Brasil)

O chanceler brasileiro Ernesto Araújo também participou da polêmica reunião ministerial de 22 de abril, citada pelo ex-ministro Sergio Moro como prova na apuração em torno de uma possível interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

Entretanto, na sua fala, Araújo passou longe dos temas do embate entre Moro e Bolsonaro.

No material divulgado nesta sexta-feira (22) por ordem do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), o chanceler direcionou os seus argumentos para dois temas.

No primeiro, Araújo afirmou que a ideia do Ministério das Relações Exteriores neste momento não é apenas adaptar o Brasil ao mundo, mas também explorar o que ele classificou como "capacidade que o Brasil hoje tem de influir no desenho de um novo cenário internacional.”

"Eu estou cada vez mais convencido de que o Brasil tem hoje as condições, tem a oportunidade de se sentar na mesa de quatro, cinco, seis países que vão definir a nova ordem mundial", destacou o chanceler brasileiro, sem citar quais países seriam esses.

Em seguida, ele revelou uma conversa com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, na qual, de acordo com Araújo, o líder indiano teria assegurado que o mundo pós-coronavírus será muito distinto do anterior, semelhante ao que ocorreu na Segunda Guerra Mundial.

"Eu acho que é verdade e assim como houve um Conselho de Segurança que definiu a ordem mundial, cinco países depois da... da Segunda Guerra, vai haver uma espécie de novo é ... Conselho de Segurança e nós temos, dessa vez, a oportunidade de estar nele e acreditar na possibilidade de o Brasil influenciar e forma... ajudar a formatar um novo, é... cenário", disse.

Nesta "nova globalização", continuou Araújo, será evitado o que o chanceler classificou como "globalização cega" para "o tema dos valores, para o tema da democracia, da liberdade". A seguir, o diplomata destacou que tal descuido permitiu que o centro da economia esteja em um país antidemocrático.

"Foi uma globalização que, a gente tá vendo agora, criou, é ... um modelo onde no centro da economia internacional está um país que não é democrático, que não respeita direitos humanos etc., né? É... essa nova globalização acho que não pode ser cega, né? É, tem que ser uma globalização, tem que ser uma estrutura, é, que leva em conta, claro, a dimensão econômica, mas também essa dimensão da, da liberdade, dos valores", afirmou.

Apesar de não mencionar a nação, acredita-se que um trecho da reunião mantido em sigilo pelo ministro do STF também tratava de ofensas contra o mesmo país da passagem liberada: a China. No material em sigilo, Araújo teria colocado em Pequim a culpa pela pandemia do coronavírus, que o chanceler achou prudente chamar de "comunavírus" - uma linha anteriormente adotada pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump -, mesmo Pequim ser o principal parceiro comercial de Brasília no mundo.

Para finalizar a sua participação, o chanceler elogiou Bolsonaro pela "reinvenção de um Brasil livre dessas mazelas que conhecemos", sem dar outros detalhes.


Da Sputnik Brasil

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