Os anunciantes pagam ao jornal por cada clique dos leitores. Clicando em nossos anúncios você ajuda a manter o TODA PALAVRA sem pagar nada por isso

  • Da Redação

Cientista defende plano estratégico para conter violência de torcidas

Maurício Murad defende que ações devem ir além da repressão


Agência Brasil / Rodrigo Ricardo - Rádio Nacional

O cientista social Mauricio Murad afirma que as redes sociais potencializam os choques entre gangues de torcedores - Acervo/EBC

O campeonato brasileiro está apenas na quinta rodada e duas mortes já foram registradas após brigas entre torcidas. Em 2019, ao longo da competição nacional, nove óbitos e outros três estão em  investigação de acordo com o sociólogo Maurício Murad. “Podemos chegar a 12, o que é uma média alta”, analisa o pesquisador que há 30 anos estuda o comportamento e a violência entre os torcedores de futebol. “Precisamos de um plano estratégico com ações de curto, médio e longo prazo. Ele deve envolver repressão, prevenção, educação e a criação de uma cultura de paz, na qual se veja o time contrário como adversário, e não um inimigo a ser aniquilado”. Entre as medidas elencadas, a criação de um disque-denúncia especializado, monitoramento das redes sociais, campanhas com ídolos do passado e do presente e inteligência para identificar e punir os bandidos.   


Professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Murad alerta que grupos criminosos infiltraram-se nas torcidas organizadas, assim como em outras manifestações populares que reúnam multidões. “São minorias violentas e cruéis, cerca de 5% dos integrantes dessas associações, que precisam sofrer a mão dura do Estado. O cidadão não pode perder o direito ao lazer e ao ir e vir, ficando à mercê dessa turma que tem armas e drogas. É preciso separar o joio do trigo”, aponta, criticando as políticas paliativas das autoridades, como adotar torcida única ou dissolver as facções organizadas. “Em 94% das vezes, os conflitos ocorrem longe dos estádios. Agora, com a pandemia [de covid-19] nem há público, mesmo assim as tragédias seguem ocorrendo entre jovens na faixa etária dos 16 aos 25”.

No último domingo (23), a cerca de 38 quilômetros de distância do estádio Morumbi onde jogavam Palmeiras e Santos, duas pessoas morreram confronto entre torcidas. As vítimas baleadas tinham 22 e 21 anos e o suspeito dos disparos 21. “Hoje com a covid-19, fala-se muito em ouvir as ciências médicas, mas também precisamos respeitar as ciências sociais. Esta violência no futebol insere-se dentro do contexto brasileiro em que as milícias e o Primeiro Comando da Capital (PCC) espalharam-se pelo país, assim como o tráfico.


O crack, por exemplo, está presente em 99,9% dos 5570 municípios brasileiros”, afirma Murad, lembrando que as redes sociais potencializam os choques entre as gangues e que o Campeonato Brasileiro é o momento em que se acirram as rivalidades e acontecem parcerias entre torcidas de diferentes estados. “Elas se unem para lutar contra algum inimigo em comum.


Sob o anonimato da internet, com perfis falsos, adicionam provocações e, inclusive, enganam a polícia marcando confrontos fakes para despistar. Esse campo virtual precisa ser ocupado pela segurança pública, que necessita receber investimentos para prevenir os problemas, porque vai trazer mais economia e eficiência. Não pode ter paternalismo com esses caras, mas só a repressão não basta. Esta sangria precisa ser estancada e o futebol, um patrimônio coletivo da nossa cultura, preservado e livre desses grupelhos delituosos”. 


Os anunciantes pagam ao jornal por cada clique dos leitores. Clicando em nossos anúncios você ajuda a manter o TODA PALAVRA sem pagar nada por isso

Editor Responsável: Luiz Augusto Erthal.

Redação e Comercial: Rua Santa Clara, 32, Ponta d'Areia, Niterói, RJ

CEP 24040-050 | (21) 2618-2972 | jornaltodapalavra@gmail.com

Os conceitos emitidos nas matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal. As colaborações, eventuais ou regulares, são feitas em caráter voluntário e aceitas pelo jornal sem qualquer compromisso trabalhista. © 2016 Mídia Express Comunicação.

A equipe

Editor Executivo: Luiz Augusto Erthal. Editor Rio: Vanderlei Borges. Editor Niterói: José Messias Xavier. Editores Assistentes: Apio Gomes e Osvaldo Maneschy. Editor de Arte: Augusto Erthal. Financeiro: Márcia Queiroz Erthal. Circulação, Divulgação e logística: Ernesto Guadalupe.

Uma publicação de Mídia Express 
Comunicação e Comércio Ltda.
Rua Santa Clara, 32, Ponta d’Areia, Niterói, Est. do Rio,

Cep 24040-050. 
Tel.: (21) 2618-297

jornaltodapalavra@gmail.com

  • contact_email_red-128
  • Facebook - White Circle
  • Twitter - White Circle