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Circulação de ônibus caiu para 38,3% no João Goulart


Ônibus em circulação antes de depois da pandemia

O Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac) concluiu, na última semana, estudo sobre o impacto da pandemia do Covid-19 nas linhas de ônibus municipais e intermunicipais, que circulam em Niterói, a partir das principais empresas que operam no Terminal João Goulart, no Centro da cidade. Antes da disseminação da doença e da adoção das medidas de isolamento social determinadas pelas autoridades públicas, 13 empresas pesquisadas operavam 60 linhas, com movimentação diária de 865 coletivos. Em 15/6, dia da conclusão do levantamento, já com a flexibilização de algumas atividades econômicas, esse total caiu para apenas 332 veículos, ou seja, 38,3% da frota.

A empresa mais afetada pelas regras de isolamento e restrições das atividades econômicas, segundo o universo de viações pesquisado pelo Sintronac, foi a Araçatuba, que tinha 61 ônibus circulando antes da pandemia e passou para 11, operando apenas 18,03% de sua frota. Em seguida vem a Fortaleza, com 20%; Brasília, 20,5%; Ingá, 20,8%; Santo Antônio, 27,3%; Rio Minho, 32,2%; Pendotiba, 32,4%; Miramar, 36,5%; Mauá, 38,7%; Nossa Senhora do Amparo, 39%; Rio Ita, 48,1%; Fagundes, 66,2%; e 1001, 70%.

Três linhas intermunicipais da viação Rio Minho deixaram de circular: Piabetá, Andorinha e Imbariê. Juntas, operavam, antes da pandemia, 14 ônibus. Entre as municipais, a 21 da Ingá, com três coletivos, também saiu das ruas.

A diretoria do Sintronac calcula que, com a reabertura gradual das atividades econômicas, 60% do efetivo de rodoviários volte a trabalhar normalmente. Para se atingir os 100%, no entanto, os efeitos da pandemia nos setores de comércio, serviços, indústria, construção civil, educação, entre outros, devem ser normalizados.

“O impacto da pandemia foi devastador no setor rodoviário. Muitas empresas ficaram totalmente sem capital. Agora, acaba o prazo para a aplicação da Medida Provisória 936, a que garante ajuda emergencial para trabalhadores e pessoas em situação de risco. Embora tenha sido aprovada sua prorrogação no Senado, precisa da sanção presidencial. Teremos, ao mesmo tempo, 40% de nosso efetivo de 18 mil rodoviários fora de serviço. São 7,2 mil trabalhadores que não terão como sustentar suas famílias”, avalia Rubens dos Santos Oliveira, presidente do Sintronac.

Rubens defende a abertura de um canal de diálogo urgente entre empresas, trabalhadores e governos para que o setor rodoviário possa manter sua estrutura operacional pronta para atender às demandas que surgirem na medida em que as atividades econômicas voltarem a funcionar.

“Há a questão da fiscalização também. Não cabe aos rodoviários impedir aglomerações ou entrada de passageiros sem os EPIs, como a máscara. O poder público tem que agir nas principais vias, terminais e pontos finais, pois muitas pessoas ainda tentam embarcar à força nos ônibus sem proteção”, destaca ele.

EMPRESA PUNIDA – A Rio Ita foi multada em R$ 5 mil e obrigada pela Justiça do Rio de Janeiro, em ação movida pelo Ministério Público Estadual, a evitar aglomerações em seus ônibus e a adotar medidas preventivas para trabalhadores, como a distribuição de máscaras e álcool em gel, além de realizar desinfecção diária nos ônibus “ao final de cada percurso”. Para o presidente do Sintronac, decisões judiciais como essa não podem ser estendidas aos rodoviários.

“Alertamos a todos os rodoviários que não assinem nenhum documento que os obrigue a atuar como fiscais de aglomerações ou de uso de equipamentos de proteção por parte de passageiros. Nenhuma empresa pode obrigar o trabalhador a assumir esse papel. O rodoviário não tem o poder de um agente de Segurança Pública. Qualquer denúncia pode ser encaminhada ao sindicato, que tomaremos as medidas cabíveis, incluindo possíveis ações judiciais”, assegura Rubens.

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