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  • Da Redação

Como a gripe espanhola interferiu no esporte carioca?

Há mais de cem anos, competições de polo aquático no Rio de Janeiro foram adiadas devido os efeitos da pandemia


Por João Azevedo

O Imparcial, Anno III, n. 411, 19 de janeiro de 1914. p. 1.



Há pouco mais de cem anos, o campeonato de polo aquático do Rio de Janeiro e o primeiro sul-americano da modalidade realizado no Brasil, foram adiados em virtude do vírus da gripe espanhola, em 1918.


O polo aquático teve sua primeira aparição em competições internacionais, em 1900. Nos Jogos Olímpicos de Paris. No entanto, ainda não existia uma confederação que regulamentasse o desporto em nível mundial. A criação da Federação Internacional de Natação (FINA) veio somente em 1908. Sendo assim, o esporte se espalhou pelo mundo de diferentes modos. No Brasil, especificamente, na cidade do Rio de Janeiro. O polo aquático teve seu início, nos clubes de remo.


Por volta de 1913, começam a surgir os primeiros torneios de polo aquático envolvendo clubes do então Distrito Federal. Os atletas, quase sempre, eram já praticantes de Remo e ou natação. Os jogos aconteciam geralmente nas praias da Urca, Santa Luzia e na Enseada de Botafogo.


Geralmente realizados no verão, os torneios de polo aquático da cidade do Rio de Janeiro, começavam quase sempre no início da estação e iam até meados de março. Para o ano de 1918, estava programado a realização de um torneio sul americano de polo aquático no Rio de Janeiro, no final daquele ano. Contudo, a gripe espanhola aproximava-se do país e ameaçava a vida social dos brasileiros.


Uma triste coincidência aconteceu também naquela altura. Algumas autoridades responsáveis, trataram a influenza, como somente uma gripe. O diretor de saúde pública e o prefeito Amaro Cavalcanti, aparentemente fizeram pouco caso do vírus. O que se viu depois, foi bem diferente. A gripe espanhola infectou inúmeras pessoas, vitimando consideravelmente a população mundial e brasileira. Apesar do comportamento daqueles, a cidade sentiu os efeitos da influenza, esvaziando as ruas, fechando estabelecimentos, escolas e também os clubes.


Diante deste quadro, a Federação Brasileira das Sociedades do Remo, entidade responsável pelos torneios aquáticos na cidade do Rio de Janeiro, resolveu adiar o início das competições. Os jogos de polo aquático que habitualmente começavam no fim do mês de dezembro, como já dito, tiveram seu início somente em 2 de fevereiro de 1919. A CBD (Confederação Brasileira de Desportos) organizadora do torneio sul-americano, também transferiu as competições que seriam realizadas em 1918, para o mês de maio de 1919.


Ainda sobre os aspectos da influenza espanhola, a gripe vitimou entre tantas pessoas, dirigentes esportivos e atletas. Como por exemplo, o primeiro secretário da Federação de remo, Raul Vieira Machado o jogador de futebol do Fluminense Archibald French, o remador Marino Shiudler do São Christovão. Também faleceu devido ao vírus, o então eleito presidente do Brasil, Francisco de Paula Rodrigues Alves. O político mantinha boa relação com os clubes de remo da cidade e era presidente de honra do Club de Regatas Boqueirão do Passeio, que prestou homenagens ao falecido.


O campeonato de polo aquático do Rio de Janeiro, válido pela temporada 1918, foi pela primeira vez disputado em uma piscina. Com a conclusão da construção da piscina do Fluminense Football Club e o fim do período estipulado pela Federação Brasileira das Sociedades de Remo, para o afastamento social devido a influenza, começou então a corrida pelo título de campeão de polo aquático. Seis equipes participaram do campeonato. C. R. Boqueirão do Passeio, C. Natação e Regatas, C. R. Vasco da Gama. C.R. Guanabara, C. R. Flamengo e C. R. São Christovão.


Essas são imagens da piscina do Fluminense Football Club, que não é esta que hoje existe na sede das Laranjeiras. Aquela piscina, possuía 30 metros de comprimento por 16 metros de largura e 3 metros e meio de profundidade. Era coberta e comportava cerca de 1.500 lugares para os espectadores. Nesta foto a equipe do C. R. Flamengo disputa uma partida contra o C. R. Boqueirão do Passeio, que viria a ser o campeão da temporada 1918 do polo aquático do Rio de Janeiro.


Já na competição continental, participaram além da seleção nacional, a equipe da Argentina e do Uruguai. “Segundo telegramas de Buenos Aires, os argentinos estão trabalhando para enviar ao Rio um team para disputar o campeonato Sul Americano de Water Polo." Dando grande cobertura ao evento e as equipes rivais, o semanário Vida Sportiva, apresenta as equipes concorrentes ao campeonato no dia 10 de maio de 1919. Neste mesmo, a equipe brasileira de polo aquático derrota os argentinos pelo placar de 14×0. A seleção argentina encerrou a sua participação no torneio dias depois com mais uma derrota, desta vez para os uruguaios por 3×0.


As regras do polo aquático já sofreram alterações, inúmeras vezes. Hoje em dia por exemplo, cada equipe começa a partida com 7 jogadores na água, sendo um goleiro e seis de linha. Ainda contam cada equipe com mais seis suplentes que podem ser substituídos quantas vezes forem. Naquela época, do campeonato de 1919, cada time possuía apenas os 7 atletas dentro d’água, sem a possibilidade de substituição. A equipe brasileira daquele sul americano, foi formada por jogadores de clubes cariocas, apenas. Entre os atletas, estavam presentes figuras já conhecidas e experientes da natação. Abrahão Saliture, dias antes de vencer o torneio de polo aquático, levou o ouro nas provas de natação também realizadas em âmbito sul americano. Também figuravam, Orlando Amendola, Angelo Gamarro e João Jorio, todos campões sul americanos de natação.


Na segunda e decisiva partida do torneio, a equipe brasileira derrotou os uruguaios pelo placar de 11×0, sagrando se campeã do primeiro campeonato sul americano de polo aquático. Mais uma vez, a revista Vida Sportiva, deu créditos ao polo aquático, estampando em sua capa de 31 de maio de 1919 a equipe brasileira campeã continental. A base daquela equipe embarcaria um ano depois para os Jogos Olímpicos de Antuérpia 1920, fazendo com que pela vez inédita o Brasil enviasse aos Jogos, uma equipe de polo aquático.



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