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Delfim, 92 anos, faz mea culpa e defende justiça social


Em entrevista surpreendente, Delfim Neto defende a distribuição de renda e a justiça social para o povo brasileiro

Na mesma entrevista dada a Pedro Bial, exibida pela TV Globo na madrugada desta terça-feira (21), em que revelou bastidores da campanha eleitoral de 2018, como a traição de Lula a Ciro Gomes, o ex-ministro Delfim Neto surpreendeu ao fazer uma mea culpa e a defender como prioridade para o país a justiça social.

Conhecido como um férreo defensor da economia de mercado, tendo comandado os rumos econômicos do país em mais de um momento nos governos militares, ele faz, aos 92 anos, com a mesma lucidez e clareza de ideias de sempre, uma surpreendente autocrítica ao renegar “a esperança - na qual confiava - de que o desenvolvimento econômico fosse resolver tudo”.

“O desenvolvimento econômico ajuda”, afirmou, “mas uma sociedade tem que ter um objetivo moral mais amplo. Isso exige lideranças que nós não tivemos”, completou, em tom de crítica aos governantes que passaram pelo Palácio do Planalto. E não poupou os responsáveis pela condução da política econômica brasileira, incluindo-se no rol daqueles que não priorizaram a busca da justiça social:

“Nós, economistas, que estivemos no poder, não devíamos estar dizendo isso. Devíamos, primeiro, fazer a mea culpa porque não fizemos, quando estávamos no governo, o que dizemos hoje que temos que fazer”, confessou.

Sem igualdade, meritocracia é fraude

Delfim apresenta o que não foi e ainda deve ser feito:

“Precisamos de políticos capazes de dar igualdade de oportunidades. O Estado tem que dar atenção à gestante, dar a ela condições adequadas de parto. Depois, promover a Educação até os 15 anos de tal jeito que esse sujeito que nasceu sem que ninguém quisesse, por acidente, tenha as mesmas oportunidades que aquele que nasceu por uma disposição da família. Sem isso a meritocracia é uma fraude! Quando não se parte do mesmo ponto, não se pode dizer, quando alguém chega longe, que foi por mérito. Não! Foi porque começou a corrida em um ponto mais longe do que os outros”, sustentou.

O ex-ministro admitiu que “essa consciência, que já era antiga,se solidificou com a magnitude da desigualdade que estamos enfrentando”. Desigualdade que, segundo ele, clarificou-se durante a pandemia, quando o país descobriu claramente - através da concessão do auxílio emergencial do governo para as pessoas sem renda comprovada - “a existência de 38 milhões de invisíveis”.

“Para os quais nós nunca demos água tratada, nem esgoto tratado. Para os quais não adianta dizer: ‘lava as mãos’, porque não têm nem sabão, nem água para lavar”, reconheceu.

Mas, mesmo apontando para o fracasso de todos os governos que conheceu - e muitos dos quais influenciou, inclusive como consultor econômico nas gestões Lula e Dilma, além do comando que exerceu nos governos militares -, Delfim acredita ainda na solução política para a tragédia social brasileira. E invocando surpreendentemente teses de lutas da esquerda, ele vaticina o empoderamento político do povo, que irá impor ao país uma melhor distribuição de renda:

“Qual será a contribuição definitiva disso? É que essa gente percebeu que no fundo a Constituição de 88 os empodera pelo voto para impor a sua vontade. Não há força política que vai impedir o estabelecimento de uma renda básica inteligente, que proteja os mais necessitados e lhes dê a possibilidade de recuperar a sua cidadania”, previu.

E acrescentou:

“Toda política tem que caminhar no sentido da igualdade de possibilidades. Sociedade justa é aquela em que a geografia e a história da sua gestação não depende de onde você nasceu, nem de quem você nasceu”.


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