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Detergente pode ter sido subterfúgio para paralisar o Guandu

Atualizado: Fev 16

A interrupção por cerca de 15 horas da captação de água pela adutora do Guandu, que provocou a suspensão do fornecimento da Cedae do início da noite de segunda-feira (03/02) até as 9 horas desta terça-feira (04/02), causando desabastecimento em vários bairros do Rio e em cidades da Baixada Fluminense, pode ter uma razão principal diferente da informada pela companhia - a presença de detergente na água. Na opinião de técnicos e funcionários experientes da Cedae ouvidos pelo TODA PALAVRA, a empresa paralisou o Guandu para fazer, finalmente, a "descarga" do lago de captação, cujas águas permaneciam com grande concentração de algas, responsáveis pela produção do composto orgânico conhecido como geosmina, que levou gosto e odor desagradáveis às torneiras de 9 milhões de consumidores.

As imagens aéreas mostram que o lago de captação do Guandu ainda apresenta grande presença de algas, representadas pelo tom mais esverdeado da água


Na semana passada o TODA PALAVRA publicou em primeira mão que a contaminação pela geosmina foi resultado de uma ordem direta do presidente da Cedae, Hélio Cabral, impedindo a Estação de Tratamento do Guandu de cumprir os procedimentos previstos nos protocolos do Plano de Contingência para o caso de contaminações biológicas. A captação pela adutora deveria ter sido interrompida, como foi agora, ao passo que as comportas que represam as águas do Guandu teriam que ser abertas para escoamento das algas, procedimento conhecido pelos técnicos como "descarga".

A decisão de Hélio Cabral acarretou a inundação dos tanques da estação de tratamento com as algas que lá permanecem, produzindo geosmina. Os esforços feitos até agora, com a utilização de carvão ativado, entre outros recursos, não foram suficientes para debelar o problema. Enquanto isso, as águas do Guandu continuam impregnadas de algas, como pode ser visto nas capturas de imagens aéreas feitas de helicóptero pela TV Globo. Os técnicos ouvidos pelo TODA PALAVRA acreditam que a alegação da presença de detergente na água pode ter sido um subterfúgio para a companhia fazer, finalmente, a necessária "descarga" do Guandu sem ter de admitir o seu erro original.

Esse raciocínio é reforçado pelo fato de a Cedae ter reiniciado a captação e tratamento na ETA sem esperar o laudo do Instituto Estadual do Ambiente, que recolheu na manhã desta terça-feira amostras de água do Guandu e do rio Poços, um dos tributários do sistema, que corta o município de Queimados e pode ter transportado resíduos químicos e industriais, favorecido pelas fortes chuvas na região. O Inea, porém, comunicou que levaria 24 horas para fornecer o laudo, ao passo que a Cedae anunciava, baseada em suas próprias análises, que já não havia mais detergente presente na água e que a estação do Guandu poderia voltar a operar normalmente.

Além dos técnicos do Inea, agentes da Polícia Civil também foram à ETA do Guando na manhã desta terça-feira. A Cedae admite que poderá levar até 72 horas para conseguir sanar o desabastecimento de água, que já atinge 20 bairros do Rio e três cidades da Baixada Fluminense.

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