Os anunciantes pagam ao jornal por cada clique dos leitores. Clicando em nossos anúncios você ajuda a manter o TODA PALAVRA sem pagar nada por isso

  • Da Redação

O que está por trás da reunião de Bolsonaro com dirigentes de Flamengo e Vasco?

Presidente descumpriu regras de isolamento e recebeu dirigentes ontem em Brasília.


Por Rafael Souza

Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, recebeu os dirigentes cariocas em Brasília. Foto: Reprodução/Instagram

Embora os números referentes ao avanço da Covid-19 não tenham diminuído no Brasil, tendo o país já ultrapassado os 270 mil casos e sendo agora a terceira nação no mundo com mais contaminados, os presidentes Rodolfo Landim, do Flamengo, e Alexandre Campello, do Vasco, reuniram-se ontem, com o presidente da República, Jair Bolsonaro, para debaterem o retorno das atividades no futebol.


De maneira inconsequente e descumprindo as principais regras estabelecidas pelas pesquisas científicas no campo da Saúde, Bolsonaro recebeu os dirigentes em Brasília, onde demonstrou seu apoio ao retorno dos treinos nos clubes. Debateu-se, inclusive, a realização dos treinos na capital federal, mais precisamente no Estádio Mané Garrincha, que estaria apto para receber os clubes para esse objetivo.


A cessão do Estádio Mané Garrincha para a realização dos treinos, seria uma alternativa caso não haja condições de realizá-los na cidade do Rio de Janeiro. O prefeito da capital carioca, Marcelo Crivella, demonstra-se contrário ao retorno das atividades desportivas, tendo também determinado uma série de restrições ao funcionamento do comércio e outras atividades, além de impor uma série de bloqueios que limitam a mobilidade urbana na cidade maravilhosa.


Essa aproximação explicita o posicionamento do governo federal que, desde os primórdios da pandemia, tem incitado o não cumprimento do isolamento social. As declarações e posicionamentos do presidente da República evidenciam diretamente essa perspectiva, que entra em desacordo com todas as recomendações estabelecidas pela OMS e por pesquisadores especialistas da área,


Por hora, Flamengo e Vasco são os clubes cariocas que se colocaram favoráveis ao retorno do futebol. O clube da Gávea, inclusive, ensaiou uma retomada às atividades em seu CT, tendo seguido alguns protocolos e executando testes para a detecção do novo coronavírus em seus atletas e familiares, tal como nos membros da comissão técnica.


Não é de se estranhar, também, que o dirigente rubro-negro, Rodrigo Landim, se coloque alinhado com os posicionamentos do governo federal. O presidente do clube já explicitou sua preferência política outrora, tendo destacado seu apoio à Jair Bolsonaro. Além disso, apesar da fase extremamente vitoriosa do clube dentro do campo, Landim e sua gestão são muito criticados por grande parte da torcida rubro-negra, devido o posicionamento negativo definido em casos como o do incêndio no alojamento do Ninho do Urubu, que vitimou 10 jovens atletas do clube naquela ocasião. Os pais dos meninos mortos buscam, até hoje, indenizações na justiça, porém sem acordo pleno com a diretoria do clube.


Ainda no Rio, o Botafogo, por meio de seu ex-presidente e atual membro do comitê gestor de futebol, Carlos Augusto Montenegro, externou um posicionamento contrário ao retorno do futebol. Montenegro taxou Flamengo e Vasco de “homicidas”, por conta do movimento para forçar o retorno precipitado às atividades.


O encontro entre os dirigentes e o presidente Bolsonaro, que recebeu de presente uma camisa da nova coleção do Flamengo, ainda contou com as presenças do senador Flávio Bolsonaro (o qual foi presenteado com uma camisa do Vasco), Márcio Tannure (chefe do departamento médico do Flamengo) e Alexsander Santos (diretor de marketing do clube rubro-negro).


A postura adotada por Bolsonaro reforça ainda mais seu posicionamento irresponsável em incentivar o retorno das atividades esportivas no Brasil, em meio a um cenário ainda muito crítico no país. A cada dia são, infelizmente, notificados mais e mais casos de contaminação pelo novo coronavírus. Além disso, a taxa de letalidade do vírus no Brasil permanece altíssima, tendo até o momento sido contabilizados mais de 17.000 óbitos pela doença.


Mesmo com tudo isso exposto, Bolsonaro pareceu não se importar muito com os números e diversos casos registrados, dando novamente um mal exemplo ao receber os dirigentes cariocas em Brasília. Além disso, mais uma vez contrariou as orientações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), recebendo a todos sem o básico uso de máscaras e formando aglomerações, como é possível visualizar na foto acima divulgada no instagram do senador Flávio Bolsonaro.


Diante do grave cenário ocasionado mundialmente pela pandemia, tal aproximação inoportuna do presidente da República com dirigentes de dois dos clubes mais populares de futebol do país, se explicita como mais uma das tentativas estapafúrdias de seu governo em se utilizar do futebol como forma de estimular o aumento de um possível capital político. Como já muito feito outrora, inclusive e outros governos, trata-se da velha política que busca pensar o futebol e outras manifestações culturais como ferramentas de alienação social. Por mais que, no campo das torcidas, essa alienação não se concretize plenamente. Basta ver nas redes sociais o quanto esse encontro de ontem foi reprovado por um grande número de flamenguistas e vascaínos.


Torna-se assim mais uma de suas ações desesperadas na busca pela recuperação de uma popularidade perdida, dentro de um cenário de crise que já vivia o Brasil e que foi agravado com o avanço da pandemia. Há de se destacar que os dois últimos ministros da saúde no governo Bolsonaro deixaram o cargo no meio da pandemia, sendo essa uma demonstração clara da tentativa do executivo nacional de manter o poder centralizado acerca das políticas públicas na área.


Apesar do encontro ter sido considerado positivo pelos dirigentes, é evidente que ainda não há data certa para o retorno do futebol brasileiro. Diferentemente da Alemanha, que já retomou no último fim de semana as atividades da Bundesliga, o Campeonato Alemão de futebol, no Brasil ainda carecemos de uma diminuição plena da velocidade do contágio do vírus, de forma que tudo possa paulatinamente voltar ao normal, inclusive o futebol.

Os anunciantes pagam ao jornal por cada clique dos leitores. Clicando em nossos anúncios você ajuda a manter o TODA PALAVRA sem pagar nada por isso

Editor Responsável: Luiz Augusto Erthal.

Redação e Comercial: Rua Santa Clara, 32, Ponta d'Areia, Niterói, RJ

CEP 24040-050 | (21) 2618-2972 | jornaltodapalavra@gmail.com

Os conceitos emitidos nas matérias assinadas são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do jornal. As colaborações, eventuais ou regulares, são feitas em caráter voluntário e aceitas pelo jornal sem qualquer compromisso trabalhista. © 2016 Mídia Express Comunicação.

A equipe

Editor Executivo: Luiz Augusto Erthal. Editor Rio: Vanderlei Borges. Editor Niterói: José Messias Xavier. Editores Assistentes: Apio Gomes e Osvaldo Maneschy. Editor de Arte: Augusto Erthal. Financeiro: Márcia Queiroz Erthal. Circulação, Divulgação e logística: Ernesto Guadalupe.

Uma publicação de Mídia Express 
Comunicação e Comércio Ltda.
Rua Santa Clara, 32, Ponta d’Areia, Niterói, Est. do Rio,

Cep 24040-050. 
Tel.: (21) 2618-297

jornaltodapalavra@gmail.com

  • contact_email_red-128
  • Facebook - White Circle
  • Twitter - White Circle