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Disputa pela terra é a que mais mata ativista no Brasil


O relatório "Defender o amanhã: A crise climática e as ameaças contra os defensores do meio ambiente e da terra", feito pela ONG Global Witness, revela um recorde no número de ativistas assassinados no ano de 2019 em todo o mundo.

O levantamento anual da entidade internacional que combate abusos contra os direitos ambientais e humanos foi liberado na noite da última terça-feira (28), contabilizando 212 vítimas, sendo 64 da Colômbia, 43 das Filipinas e 24 do Brasil.

O advogado e membro do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, Marcelo Charleo, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que o Brasil "lamentavelmente sempre esteve entre os campeões mundiais de assassinato de defensores dos direitos humanos". De acordo com ele, isto acontece em grande medida pelas históricas disputas por terra no Brasil, persistindo em inúmeros conflitos latifundiários.

"A disputa pela terra no Brasil, o ascenso do latifúndio é algo incrivelmente presente em todos os séculos. E essa presença maciça do latifúndio em nosso país é um dos elementos fundamentais a explicar essa mortandade de defensores de direitos humanos, porque o latifúndio não se contenta com o que tem, com as imensas áreas que já possui em todo o território nacional. Ele avança sem dó nem piedade sobre o Cerrado, sobre a Amazônia, sobre o Pantanal", declarou.

De acordo com ele, este avanço do latifúndio ocorre de maneira muito intensa sobre sobre o Cerrado, sobre a Amazônia, sobre o Pantanal, e entra "em choque com as populações tradicionais, as populações indígenas, quilombolas, ribeirinhos, que vivem nessas regiões".

"E como essas populações resistem, sempre resistiram ao longo dos séculos, sempre houve resistência, nunca deixou de existir resistência. Quem se coloca na linha de frente corre o risco de ser abatido pelos jagunços, pelos capangas do latifúndio", destacou o advogado.

Ao comentar as perspectivas para reverter este cenário no Brasil, Marcelo Charleo disse que falta uma "política estruturante no que diz respeito à terra" e destacou a "questão da reforma agrária como algo essencial", além da necessidade de estabelecer uma política estruturante de proteção ao meio ambiente, de respeito aos direitos das populações tradicionais e dos povos indígenas.

"A ausência dessa política e a ausência de mecanismos de efetivação estruturante dessas políticas estão no fundo dessa questão. Então enquanto isso não for vencido pela sociedade brasileira, enquanto a sociedade brasileira não compreender que essa políticas são fundamentais, continuaremos lamentavelmente a conviver com a morte desses que resistem nas mais diferentes frentes de batalha", completou.

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