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Editorial: Réquiem para bolsonaristas vítimas da Covid

Editorial - Toda Palavra


O senador Arolde de Oliveira, que morreu na noite desta quarta-feira, 21, entra para o rol das vítimas do vírus que sucumbiram depois de desdenhar do poder da Covid-19 e de menosprezar as ações preconizadas pela ciência para combater a pandemia que levou o Brasil, com mais de 150 mil mortes causadas pela doença, a ocupar o terceiro lugar no ranking macabro do surto de coronavírus que assola a humanidade.

Neste dia, após uma luta de várias semanas, ele se tornou mais um número da estatística que o governo brasileiro banaliza. O senador de 83 anos veio a óbito no dia em que o presidente Jair Bolsonaro anunciou estupidamente a suspensão da compra, anunciada na véspera pelo seu ministro da Saúde, de um lote de 46 milhões de vacinas CoronaVac, desenvolvida por cientistas chineses em parceria com o Instituto Butantã. Era, certamente, o primeiro sopro de esperança sobre o nosso povo, praticamente entregue à própria sorte nesse drama lancinante.

Em nada surpreende a atitude do presidente da República, que desde o começo da crise sanitária vem demonstrando seu desprezo pela vida dos brasileiros, seja sabotando as ações de combate à pandemia, inclusive com o rodízio de três ministros da Saúde em poucos meses, seja minimizando a importância do que chamou de "gripezinha", seja prescrevendo e mandando o Exército brasileiro produzir, à custa do erário público, um remédio ineficaz para esse vírus, a cloroquina.

Tragicamente, o senador Arolde de Oliveira disse "sim" e "amém" a esse enredo insano. Ele não é o único. Muitos dos que fizeram coro ao negacionismo de Bolsonaro também pertencem hoje à mesma estatística. Mas uma mensagem publicada no Twitter pelo senador antes de adoecer ficará aqui registrada como um réquiem para as vítimas bolsonaristas do coronavírus.

Nela, Arolde - incapaz de enxergar a nudez do rei - reafirmava, sem conhecer o destino que lhe aguardava, que Bolsonaro está certo desde o início:

"Os números do vírus chinês no mundo e no Brasil demonstram a inutilidade do isolamento social. Autoridades, alarmistas por conveniência, destruíram o setor produtivo e criaram milhões de desempregos. O Presidente @jairbolsonaro, isolado pelo STF, estava certo desde o início". Ass.: Arolde de Oliveira (@AroldeOliveira)



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