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Freixo: Witzel "vai cair"



“Eu acho que o Witzel não sobrevive, ele vai cair”. A declaração é do deputado federal Marcelo Freixo (PSol) sobre a possibilidade de impeachment do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). A avaliação foi feita nesta sexta-feira (29) em transmissão ao vivo que reuniu lideranças comunitárias, pesquisadores e parlamentares municipais, estaduais e federais de diversos partidos. O encontro foi organizado pelo vereador Reimont (PT) para discutir a pandemia de covid-19 no Rio de Janeiro.

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Para Freixo, a corda bamba em que está Witzel é um efeito da crise do bolsonarismo.“E esse é justamente o momento de a gente se unir para acabar com essas operações policiais e mortes nas favelas. Isso não pode continuar. Precisamos de uma agenda de ação e sugiro que seja pautada na renda básica e no enfrentamento ao fascismo. Também acredito que precisamos nos articular com nomes internacionais para fazer pressão junto com a gente em respeito a democracia e a vida dos brasileiros. Isso que está em jogo hoje”, disse. 

Em meio a pandemia, o governo do Rio de Janeiro está passando por uma grave crise política. Além da Operação Placebo, desencadeada por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e que investiga um esquema milionário de corrupção na compra de equipamentos e montagem de estrutura emergencial para o enfrentamento da covid-19, Witzel é alvo de cinco pedidos de impeachment na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Os dois últimos foram protocolados nesta semana. Nos bastidores, a informação é que desta vez a cúpula da Casa dará prosseguimento aos pedidos. 

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Flexibilização na capital

O encontro online teve como principal tema a reabertura do comércio e a flexibilização das regras de isolamento ensaiadas pelo prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (Republicanos). As propostas reaparecem justamente no momento de crescimento descontrolado dos casos de covid-19 na cidade e vão na contramão do que estão apontando diversas pesquisas. 

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Segundo estudo da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) em parceria com Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), o Rio é a cidade brasileira com maior índice de letalidade da doença. A cada 100 pessoas, que entraram em contato com o vírus, duas morreram. Além disso, uma projeção feita por cientistas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra a importância do isolamento: manter o afastamento nos próximos 14 dias, por exemplo, representa salvar 5.581 vidas no estado do Rio, segundo o estudo. 

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Na live, a pesquisadora Lucia Souto, presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, lembrou que o pico da doença ainda não chegou, mas a cidade e o estado já sofrem com a perda de profissionais de saúde e a falta de leitos para atender toda a população.

“Os hospitais programados não foram entregues, os leitos dos hospitais federais não estão sendo utilizados para a covid, as pessoas estão totalmente ao deus-dará. Além da crise econômica e social, estamos vendo uma ausência completa de ações efetivas dos governos. Enquanto não temos vacina, a medida que funciona e está mundialmente comprovada é o isolamento social”, afirmou.

Para o deputado federal Alessandro Molon (PSB), que também esteve no encontro, a proposta de Crivella é irresponsável e tem como objetivo não perder popularidade para concorrer à eleição municipal deste ano. 

“Não há qualquer normalidade. Ele disse que pandemia está controlada. Não sei de onde tirou isso. É muito irresponsável. Estão cedendo a pressão do mercado em detrimento das vidas”, disse, acrescentando que aposta no legislativo municipal para barrar a medida. “É hora do poder legislativo mostrar para o poder executivo o que significa a tripartição de poderes e colocar limite nessas atrocidades”. 

Já para Itamar Silva, liderança comunitária do Santa Marta, favela localizada em Botafogo, zona sul da cidade, é preciso escancarar a postura de Crivella. “O prefeito tem um discurso cínico e uma prática errática, de alinhamento com governo federal. A consequência disso é uma estrutura muito deficiente. Temos acompanhado as mortes crescendo nas favelas, em toda a cidade. A prefeitura não fiscaliza a milícia que vem crescendo na zona Oeste e obrigando as pessoas a voltar a trabalhar para fazer suas cobranças e lucrar. Faz vista grossa. A violência policial cresce nas periferias. Tudo isso tem como consequência a morte dos mais pobres”, destacou em sua fala.

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Complementando a fala de Itamar, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) afirmou que a pandemia escancarou a desigualdade de todo o país.“É muito grave tudo isso e o Rio ainda tem uma situação peculiar. Essa doença começou espalhando nos aeroportos, mas está se concentrando nas áreas mais pobres. Com essa preocupação de manter a economia funcionando não há qualquer movimentação dos empresários e do estado para garantir que as pessoas fiquem em casa com um prato de comida e emprego garantido”, concluiu.

Fonte: Brasil de Fato

Secretário de Polícia Civil pede demissão

O secretário de Estado de Polícia Civil, delegado Marcus Vinicius de Almeida Braga, pediu exoneração, neste sábado (30), após um ano e cinco meses no cargo. É o terceiro secretário a sair do governo Wilson Witzel em menos de uma semana, após a exoneração dos secretários da Casa Civil e da Fazenda na última quinta-feira (28). A saída do delegado Marcus Vinicius ocorre também cinco dias após a Operação Placebo, da Polícia Federal, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços do governador e de sua mulher, Helena, inclusive na residência oficial no Palácio das Laranjeiras e na sede do governo do estado.

O delegado disse, segundo o jornal O Globo, que a decisão veio a partir da vontade de dedicar mais tempo à família.

— Já vínhamos nessa batalha desde a intervenção (da Segurança Pública) quando assumimos a chefia da Polícia Civil. Foram três anos nessa batalha, acordando às 5h, e chega uma hora que o corpo cansa. Já estou com mais de 50 anos — afirmou Braga. — Quero descansar e ficar mais com a minha família - publicou o jornal.

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