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  • Da Redação

Maracanã: uma epifania coletiva

Por Jorge Santana


Maracanã nos tempos em que a Geral se fazia presente. Foto: Perfil Fotos Antigas do Rio (https://www.facebook.com/fotosantigasdoriodejaneiro/photos/a.361254687286171/1681066015305025/?type=3&theater)

O Maracanã é uma epifania coletiva. Ontem, o ex-maior estádio do mundo completou 70 anos. Os saudosistas são pessoas chatas que reclamam do presente e praguejam contra o futuro. Na verdade, desejam viver naquele período histórico o qual consideram o apogeu da história . Enfim, estou falando de saudosismo, pois é impossível falar desse templo sagrado do futebol sem sintomas profundos de saudade. Pois os saudosistas defendem que aquilo que hoje está lá é outra coisa, o bom e velho Maracanã morreu quando as marretas da Odebrecht os desfiguram. Assim como o doutor Frankenstein desfigurou sua cobaia Adam, transformando-o em um monstro temido, no romance de Mary Shelley.


O nome maracanã vem da língua dos povos que habitavam o Rio de Janeiro antes da chegada dos conquistadores. Maracanã significa papagaio, pois a região do estádio era repleta dessas aves. Esses pássaros que imitam a fala dos primatas bípedes de polegar despareceram, assim também com a estação de trem do Maracanã. Os papagaios não aguentaram os humanos que os caçavam e antiga estação de trem não sucumbiu a modernidade dos megaeventos.


O Rio tem parte da sua cidade espremida entre o mar, baía e seus maciços montanhosos. Uma parte dessa área é pantanosa, tanto que os primeiros habitantes da segunda capital do Brasil a chamavam de Tijuca. O que significa brejo ou lamaçal. A chuva cai no Alto da Tijuca e a água desce veloz pelos rios, veios e riachos, desaguando na baixa Tijuca, logo formando um brejo. Quando tal fenômeno ocorre, o rio Maracanã se expande e cresce de maneira impávida, quase como uma vingança, alagando os pés do estádio Mário Filho. Se os gênios da raça brasileira tivessem consultado os tupis, não passariam vergonha com as recorridas enchentes em volta do ex-maior do mundo. O Maraca começou recebendo 200 mil espectadores, depois passou para 120 mil torcedores, em seguida 90 mil amantes do futebol e atualmente 70 mil clientes vips e conduzidos por um animador. Ele foi sendo mutilado aos poucos, com requinte de crueldade, talvez uma tortura chinesa. Tortura justificada em nome do “moderno”, do “ padrão Fifa” ou “estádio-teatro”.


Nós somos em parte culpados, pois assistimos a rapinagem do Maracanã quietos e comportados. Deixamos levar o Célio de Barros para fazerem de estacionamento. Deixamos levarem a geral e assim por diante. O Maracanã talvez seja uma imaginação coletiva, a qual é impossível alcançar em estado físico. Acredito que pensando desta maneira o Maracanã será eterno, pois eles ainda não podem fazer reforma em nosso córtex frontal (região do cérebro onde armazena-se a memória). Se o Fla-Flu nasceu 40 minutos antes do nada como disse Nelson Rodrigues, o Maraca é o nada que dá início a tudo. O que é verossímil, já que ele é uma epifania da nossa tenra memória. Fim da conversa no bate-papo


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