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Milton Glaser - Uma obra atemporal

Por Felipe Taborda


Milton Glaser (Foto: Cooper Hewitt)

Em 2001, em uma entrevista para um jornal, Milton Glaser dizia: “Não há um interesse em conhecer a história daquilo que você estuda. O interesse é apenas pelo reconhecimento imediato e pela busca frenética do sucesso. A divulgação na mídia dos altos preços de obras alcançados por artistas plásticos modernos faz o interesse residir apenas na conquista do padrão monetário”.

Desde sempre Glaser se opunha ao imediatismo cada vez mais presente na cultura contemporânea, criticando a substituição do critério estético-histórico por um duvidoso valor monetário. Criador de inúmeras obras atemporais, além de ser um dos personagens mais importantes da história do design gráfico, Glaser morreu no dia 26 de Junho de 2020, na exata data de seu aniversário de 91 anos.

Nesse mundo atual em que vivemos, cada mais repleto de acontecimentos, modismos, pessoas, estilos e imagens inúteis ou descartáveis que se ploliferam nas mídias sociais, o trabalho de Milton Glaser fica como um excelente antídoto á banalização generalizada que nos cerca. A proliferação do “padrão cult” imposto atualmente, venerando o culto da imagem e da “attitude”, resulta em uma decadência cada vez mais grave do conceito de trabalho.

A memória cada vez mais curta da humanidade, aliada à necessidade de trocar a cada minuto seus ídolos ou padrões de cópia é algo que também impressionava Glaser: “os estudantes de diversas partes do mundo, em especial nos EUA, desconhecem tudo - ou quase tudo - que aconteceu há mais de cinco anos”, dizia ele. Glaser sugeria, então, uma mudança para que a compreensão dos fatos seja mais ampla: “uma das definições mais conhecidas para arte é que ela serve ao público refletindo e explicando o mundo em um momento particular de sua história. Design é exatamente a mesma coisa. Minha proposta é que se elimine a palavra “arte”, trocando-a por ‘trabalho’. Tudo se resumiria a ‘trabalho excepcional’, ‘trabalho bom’, ‘trabalho correto’ e ‘trabalho ruim’. Assim acabaria a ansiedade de milhares de pessoas que se preocupam se são artistas ou não, além de reinserir a arte como uma atividade útil no dia-a-dia, algo que esperamos há muito tempo”.

Nessa mesma entrevista de 2001, Glaser comenta que a quantidade de pessoas que se dizem profissionais faz com que ele cada vez mais queira ser apenas um amador, olhando e percebendo com atenção tudo que nos rodeia, extraindo dessa atenta observação seus próprios padrões pessoais de comportamento. Como em qualquer profissão, somente aqueles que desenvolvem seus trabalhos com um alicerce sólido sobrevivem ao tempo.


A logo I (love) NY, criação icônica de Milton Glaser

No final dos anos 60, junto com um grupo de outros designers gráficos e ilustradores, Glaser criou o Push Pin Studio em Nova York, que rapidamente conquistou o mundo com suas brilhantes atividades em todos os campos, sejam editoriais, jornalísticos ou artístico. Era uma verdadeira oficina de idéias, onde todos os sócios trabalhavam juntos ou individualmente visando o mesmo fim: a qualidade. Criaram-se então cartazes, campanhas e revistas, entre elas a New York, até hoje uma referência.

Posteriormente, junto com Walter Bernard, criou o estúdio WBMG, especializado em projetos gráficos de jornais e revistas, tendo redesenhado várias publicações mundiais tais como Time e Village Voice (EUA), L’Express e Paris Match (França), Lire (Itália), La Vanguardia (Espanha) e O Globo (Brasil).

Outra parte importante da trajetória de Milton Glaser foi a sua atuação pedagógica, com seus cursos de verão anuais na School of Visual Arts em Nova York. A cada ano Glaser literalmente mudava a cabeça de inúmeras gerações de estudantes com suas idéias e conceitos inovadores.

Criador de obras clássicas e populares, tal como o logo I (love) NY, copiado em todo o mundo, a arte de Glaser será lembrada e celebrada hoje e no futuro, sempre que houver pessoas interessadas em uma pesquisa atenta de criações com conteúdo e qualidade exepcional – buscando assim um verdadeiro registro do tempo em que aconteceram.


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Felipe Taborda é um designer gráfico, autor e curador, e trabalhou junto com Walter Bernard e Milton Glaser no redesenho do jornal O Globo, em 1995.


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