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'Não há nada islâmico em matar pessoas' diz vice-presidente da FAMBRAS

Atualizado: Out 31


A brasileira Simone Barreto Silva, uma das vítimas do atentado terrorista na França (Reprodução/Facebook)

O vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, Ali Houssein El-Zoghbi, afirma em entrevista que assassinar pessoas é estranho ao islamismo.

O mundo acompanhou na manhã desta quinta-feira (29) uma série de ataques extremistas atribuídos a radicais islâmicos em territórios francês e saudita.

O primeiro dos atentados aconteceu na Basílica de Notre-Dame, em Nice, no sul da França. Entre as vítimas está uma idosa, que foi decapitada, e a brasileira Simone Barreto Silva. O suspeito, um homem de 21 anos, foi baleado pela polícia e depois preso.

Poucas horas depois, a polícia francesa matou um homem que ameaçou pessoas com uma arma em Montfavet, perto da cidade de Avignon, também no sul do país.

Já na Arábia Saudita, um suspeito foi preso na cidade de Jidá após atacar e ferir um agente de segurança do consulado francês.

A informação foi divulgada pelo consulado francês e confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita.

Em entrevista para Sputnik Brasil, Ali Houssein El-Zoghbi, vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (FAMBRAS), repudiou os ataques e fez votos de solidariedade para o povo francês e às famílias das vítimas.

De acordo com ele, é importante ressaltar que "o islã preconiza que quem mata uma pessoa inocente, é como se tivesse matado toda humanidade. Isso precisa ficar evidenciado para que a gente não macule o islã e muçulmanos em razão da ação de uns adeptos que seguem a religião de maneira equivocada".

Ao falar do ataque, Ali Houssein El-Zoghbi disse que "nosso manifesto é de repúdio e solidariedade. Quero deixar claro que essa ação não pode ser considerada islâmica. É muito importante que a mídia retrate isso de maneira clara e precisa. Estamos falando de uma população de quase um quarto dos habitantes da terra. E o islã preconiza a preservação da vida. Isso precisa ficar claro".

Após o ataque em Nice, o governo francês também comentou o episódio e decidiu elevar o nível de alerta do sistema de segurança nacional da França em todo o território francês, segundo o premiê Jean Castex.

"A resposta do governo será firme, implacável e imediata", disse o chefe do governo na tribuna da Assembleia Nacional.

Também se posicionando sobre o ataque, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou aos jornalistas:

"Estamos verificando a informação sobre a tragédia que se desenrolou em Nice. É uma tragédia absolutamente horrível".

Questionado sobre as respostas dos países ao atentado na França, o vice-presidente da FAMBRAS disse que "a gente sempre afirmou que os governantes, os países, precisam de uma legislação que coíba ataques aos ícones religiosos".

Houssein El-Zoghbi enfatizou que o islã não é contra liberdade de expressão. "Achamos inadequado e desproporcional que ícones religiosos sejam atacados. O respeitar ao próximo, assim como o exercício da liberdade, estabelece que tenhamos bom senso. Isso, porém, não justifica a mínima violência contra o ser humano, mas é um ponto carente de discussão", afirmou.

"A gente entende que é preciso tentar buscar uma legislação que permita a preservação de ícones religiosos, e eu acho que esse seria o caminho mais adequado. Isso não é incompatível com a liberdade de expressão e o bom senso", concluiu.

A fala de Ali Houssein El-Zoghbi está no esteio das recentes declarações feitas pelo alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações, o espanhol Miguel Ángel Moratinos.

Na quarta-feira (28), o espanhol fez um apelo e divulgou uma nota que preza pelo "respeito mútuo por todas as religiões e crenças".

Segundo ele, "insultar religiões e símbolos religiosos sagrados provocam ódio e extremismo violento, levando à polarização e fragmentação da sociedade", acrescentou.


Fonte: Agência Sputnik

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