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O arroz caríssimo e o agronegócio

Por Clarice Manhã*


A jornalista e agricultora Clarice Manhã, diante da banca de produtos agrícolas produzidos por ela

O vilão da cesta básica esse mês – o arroz, está na boca do povo. Sempre esteve, claro, no almoço e no jantar. Mas agora o comentário geral não é nosso hábito nem seu teor nutricional, é o preço. E essa alta traz em si uma informação muito impactante em nossa saúde, que até então estava despercebida no prato nosso de cada dia.

O aumento no preço do arroz começou a assustar silenciosamente, até chegar a R$ 27 o pacote com cinco quilos. Ouvi dizer que em algumas regiões do país bateu o recorde triste de R$ 40. Segundo o presidente da Federação dos Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, o preço do arroz subiu tanto no mercado interno brasileiro porque aumentou a demanda por exportações. E quem ganhou com isso?

Menos de 30% dos agricultores se beneficiaram desta alta. Isso porque hoje, conforme explica Velho, os pequenos produtores familiares não tem capacidade de estoque da produção, e venderam suas safras no começo do ano, no preço habitual, na faixa de R$40 a saca com 50 quilos. Ou seja, pouco mais de R$ 1 o quilo.

Agora, a mesma quantidade está sendo exportada por até R$ 70. E só quem conseguiu bancar essa exportação foram as empresas com capacidade de estoque, que têm uma super estrutura para armazenagem. As empresas do agronegócio. Elas não chegam a 30% do total de produtores, mas abocanham a maior fatia do mercado.

E já sabemos que o foco no agronegócio não é a saúde do solo, nem da planta, nem da nossa, enquanto consumidores. É o lucro. Uma pesquisa da saudosa engenheira agrônoma Ana Primavesi informa que em 1940 existiam trinta mil variedades de arroz plantados na Índia. Para cada ecossistema, um ecotipo. Hoje são plantadas somente dez variedades, produzidas por duas fabricantes de sementes. Do mesmo modo, na Malásia, as dez mil variedades foram reduzidas.

E, como no mundo globalizado as empresas de sementes e insumos são transnacionais, no Brasil não é diferente, seguimos essa tendência. Isso porque nessa agricultura “moderna” não se procura mais a adaptação da cultura ao solo e ao clima. Em vez disso se força o solo à produção em escala, totalmente dependente de um pacotão de adubos sintéticos e defensivos químicos.

O resultado é desastroso em cadeia. Porque esse modelo de produção é ruim para a saúde do meio ambiente e tem ainda, como consequência, a redução drástica do teor nutritivo da planta. Então, comemos um arroz empobrecido em nutrientes. E caríssimo.


*Jornalista, agricultora e mãe de duas menininhas feministas.

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