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  • Da Redação

O Fim da alma do America

Jorge Santana

Foto: Wikipedia

O hino do America Football Club é o mais bonito do ocidente, do hemisfério Sul e de toda a Via Láctea. Pudera, o seu compositor era torcedor do clube tijucano. O grande Lamartine Babo compôs os hinos dos 5 grandes clubes da antiga capital do Brasil, porém caprichou na letra do clube do seu coração. O segundo verso do hino “Hei de torcer até morrer, morrer, morrer...” revela o amor da torcida, tal como sua resiliência.


Por que falar de resiliência? Pois, o America com uma história pretérita de glórias vem há pelos 40 anos numa situação trágica. Sem títulos, sem ídolos, rebaixado, repleto de dívidas e agora, por final, sem sua tradicional sede. A rua Campos Sales, no coração da Tijuca, nunca mais será a mesma, já que a sede do seu prédio mais importante e famoso foi demolido para dar lugar a mais um shopping para consumidores esfomeados.


Alguém dirá que o clube não precisa de sede para viver, portanto a morte da sede física do America não resultaria em sua morte definitiva. De fato, não significa, já que um clube é feito em grande parte do amor incondicional de seus torcedores. Porém, o clube também tem no seu legado material parte da sua alma. O que seria do Vasco sem São Januário? O que seria do Corinthians se vendesse o Parque São Jorge? Continuariam sendo clubes amados, porém faltando algo. E algo muito importante, já que a sede é um lugar místico e sagrado para os torcedores.


É o que acontece com o grandioso America, que teve sua sede vendida para penhorar as dívidas. Sucessivas más administrações levaram ao clube a esse triste cenário. Um torcedor doente lembraria que se em 2006 o juiz não tivesse mal anulado o gol de Robert, atacante do time alvi-rubro, tudo seria diferente. O America teria sido campeão da Taça Guanabara e talvez isso alteraria o presente desalentador do clube. Pura crendice de loucos americanos, já que aquele título dificilmente estancaria a sangria financeira.


Os nacionalistas acusam a tragédia americana de ter como origem o nome de um conquistador dos povos ameríndios; os cristãos defendem que tal destino foi causado pelo mascote diabólico do clube; e os fanáticos americanos, que o forçado rebaixamento orquestrado pelo Clube dos 13 em 1987 (o América ficou em 3° lugar no Brasileiro de 1986) deu início ao flagelo do clube.


O Manchester United também tem o coisa-ruim como mascote e está por cima; o Vasco da Gama também tem o nome de um conquistador e vai bem, obrigado; e outros times aviltados pelo Clube dos 13 naquela ocasião, estão hoje na série A. Talvez o cataclismo do time tijucano seja o catalizador de um futuro próspero.


Enquanto isso, quando chegamos na praça Afonso Pena, vemos em bronze a estátua de Sebastião Maia, o grande Tim Maia. Com 1,80m e 650 kg, produzida pela artista plástica Christina Motta. A estátua em homenagem ao ilustre americano está olhando na direção da rua Campo Sales, número 118, estando exatamente à 70 passos médios do antigo clube. Como na reprodução artística, Tim está com um braço aberto, o que permite interpretar tal gesto como um pesar pelo fim daquele símbolo.


Jorge Santana é professor de História e doutorando em Ciências Sociais pela UERJ.

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