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Parte da oposição vai às ruas sob o temor de provocação

Por Luiz Augusto Erthal


Torcidas organizadas de clubes de futebol estão entre as forças da manifestação desse domingo

Em meio a várias advertências, sinalizadas pela maioria dos partidos de esquerda e por militantes históricos, parte das forças de oposição a Jair Bolsonaro devem tomar as ruas neste domingo, 7, em resposta às manifestações de cunho fascista que vêm seguidamente afrontando o estado democrático de direito e pedindo - com o apoio do próprio presidente, presente em alguns desses atos - a intervenção militar, com o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

A reação, descalibrada também pelo momento de pico de contágio do coronavírus no país, cujo combate, a partir de uma política de isolamento social, se tornou bandeira das forças progressistas em contraposição à teoria de seleção natural defendida por Bolsonaro - “todos vão morrer um dia…” -, é outro ponto de questionamento sobre a conveniência das manifestações.

Mas a principal ameaça, em um país que já se prepara para assumir a condição de epicentro mundial da pandemia, é tornar-se também o vulcão medonho a regurgitar a larva do autoritarismo e da ditadura que até pouco tempo parecia adormecida nas profundezas escuras do passado. Há quem acredite que, para uma erupção dessa bílis do inferno, basta um um pretexto - o desencadeamento de um vandalismo inoculado por infiltrados dentro das anunciadas manifestações.


Na sexta-feira, em Goiás, Bolsonaro previu "soco inglês, porretes e coquetéis molotov" (Foto: Alan Santos/PR)

Este cenário já foi, inclusive, antecipado nos devaneios premonitórios de Jair Bolsonado, que, nos últimos dias, dedicou-se a anunciar o que poderia ocorrer nas concentrações oposicionistas. Insistindo repetidamente que seus apoiadores não deveriam sair às ruas no domingo, ele vem xingando os adversários - “vagabundos”, “maconheiros”, “baderneiros” etc - e os acusando de portar costumeiramente “soco inglês”, “porretes” e “coquetéis molotov”.

O exercício de futurologia do presidente tem sempre terminado com advertências, como se o resultados das manifestações estivesse muito claro: “vocês vão ver o que vai acontecer…”. É uma estranha vocação de vidente revelada agora pelo capitão.


Caso americano

Como pano de fundo e talvez elemento inspirador, o movimento desses setores da oposição brasileira - encabeçados pelo MST, Povo sem medo, torcidas organizadas dos principais clubes de futebol, entre outros, com apoio partidário do PT, do PSOL e do PSTU - reflete aqui o transbordamento da fúria anti-racista que tomou conta dos Estados Unidos, liberado pelo estopim da crueldade e do martírio de George Floyd em uma rua do estado de Minnesota.

Aliados no protagonismo das catástrofes humanitárias que se desenrolam nos Estados Unidos e no Brasil, Donald Trump está para os manifestantes americanos assim como Bolsonaro está para a maioria inconformada dos brasileiros: os dois presidentes simbolizam, de mãos dadas, o pandemônio em meio à pandemia.

Por conhecer o potencial explosivo da figura do capitão que lhe é superior, o general Hamilton Mourão bradou ameaçadoramente em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo na linha de que levantes populares como os dos Estados Unidos não seriam tolerados aqui.

Na sexta-feira a Polícia Militar do Rio de Janeiro divulgou uma nota à imprensa, anunciando seus preparativos para as manifestações de domingo. O texto não economiza referências ao aparato policial-militar a ser empregado, citando helicópteros, drones, tropas regulares, Batalhão de Choque, cães, cavalos etc, etc, etc. Enquanto este artigo é escrito, PMs lustram os cassetetes e lubrificam as armas.

Em São Paulo, uma decisão do Tribunal de Justiça proibiu protestos “manifestamente antagônicos entre si” na Avenida Paulista, onde se daria o ato principal da oposição. Mas os organizadores não desistiram e reconvocaram a manifestação para o Largo da Batata. O líder da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos, afirmou que "combater o fascismo também é serviço essencial" e que, portanto, a covid-19 não poderia impedir a defesa da democracia.


Oposição dividida

Líderes de seis partidos oposicionistas no Senado divulgaram nota pública desencorajando os brasileiros a irem às ruas no domingo. A nota foi lida durante a sessão remota do Senado na quinta-feira (4) pelo líder da Minoria na Casa, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Além de Randolfe, assinam o documento os líderes do Cidadania, Eliziane Gama (MA); do PDT, Weverton (MA); do PSB, Veneziano Vital do Rêgo (PB); do PSD, Otto Alencar (BA); e o vice-líder do PT, Jaques Wagner.

Randolfe leu a nota dos senadores (Foto: Lopoldo Silva)

No entanto, no PT desautorizou no dia seguinte o seu vice-líder e declarou apoio às manifestações. Na sexta, 5, um texto assinado pela presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, e pelos líderes do partido na Câmara, deputado Enio Verri, e no Senado, Rogério Carvalho, afirma que “nós, do Partido dos Trabalhadores, somos solidários aos que participam destes atos e sofrem os ataques da repressão e de provocadores”.

Na nota do dia anterior, os senadores explicam que, não tendo o país superado a pandemia, é preciso redobrar os cuidados sanitários e fortalecer o distanciamento social. Para Randolfe, é necessário pensar em alternativas que respeitem o isolamento, uma vez que o país já registrou mais de 30 mil mortes pela covid-19.

“Entendemos que ainda não é o momento, em respeito às famílias de vítimas do coronavírus e também daqueles que até hoje têm respeitado, e com razões, o isolamento como a melhor alternativa de combate à covid-19. Continuaremos firmes na oposição das mais diversas formas que a situação pandêmica nos permite”, diz o documento.

Veja abaixo o texto na íntegra:

Nota dos Líderes Partidários do Senado Federal em defesa da VIDA e da DEMOCRACIA”

Os líderes dos diferentes partidos do Senado Federal, a saber a Rede Sustentabilidade, o PSB, o PDT, o Cidadania, o PSD e o PT, vem através desta nota desencorajar os brasileiros que, acertadamente, fazem oposição ao Sr. Jair Bolsonaro a irem às ruas nesse próximo domingo.

Nosso pedido parte da avaliação de que, não tendo o país ainda superado a pandemia, que agora avança em direção ao Brasil profundo, saindo das capitais e agravando nos interiores, precisamos redobrar os cuidados sanitários e ampliar a comunicação com a sociedade em prol do distanciamento social.

Bem certo que a organização de setores da sociedade aqueceu nossos corações de esperança, na certeza de que o Brasil já identificou que a política da presidência da república tem sido devastadora ao país e aliada do Coronavírus. Adiaremos à ida às ruas, pelo bem da população, até que possamos, sem riscos, ocupá-las, em prol da população.

Ademais, observando a escalada autoritária do governo federal, devemos preservar a vida e segurança dos brasileiros, não dando ao governo aquilo que ele exatamente deseja, o ambiente para atitudes arbitrárias.

Entendemos, portanto, que ainda não é o momento, em respeito às famílias de vítimas do Coronavírus e também daqueles que até hoje tem respeitado e com razões, baseado nos melhores estudos científicos, o isolamento como a melhor alternativa de combate à Covid-19. Continuaremos firmes na oposição das mais diversas formas que a situação pandêmica nos permite.


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