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Quarentena

Por Juber Baesso*


Ontem, já pela manhã, senti os efeitos dessa quarentena ainda inicial. Fui acometido de forte inclinação à rebeldia. Eu sou rebelde. Sempre fui. Não haverá de ser o coronavírus que me impedirá de gozar os prazeres da vida! Logo agora que viver está tão bom. Fui à luta!

Tirei da garagem meu carro novo: um Jeep Renegade 2020, branco perolado, todo equipado (troquei de carro) ... Saí por aí.

Antes de findar a manhã encontrei Carlos Mônaco no Calçadão da Cultura conversando com o único visitante do dia: o jornalista Gentil da Costa Lima.

Depois de zanzar um pouco, por volta das 16 horas, um pouquinho mais, vi-me chegando à Academia Niteroiense de Letras: na calçada, uns em pé, outros sentados, além de numerosa clientela comprando produtos populares nas barracas e uma horda de camelôs anunciando suas quinquilharias. Aguardei a chegada dos acadêmicos para a sessão das 17 horas – não apareceram.

A tarde findou. A noite passou. Pela manhã parei bem em frente à porta de entrada de uma bela casa construída no século XVIII que fora reformada no início do século XX para receber da cegonha o Príncipe Dom Edson Carvalho de Luna Freire. — durante a infância Sua Alteza era carinhosamente chamado de Dom Edinho. O tempo passou e há poucos dias a anciã casa foi reformada pelo Príncipe que, finalmente, se convencera da necessidade de permanecer em quarentena.

O tempo até parece ser psicológico, e o é. Aqui nada me impede a locomoção. Todos sabem que sou rebelde. Era domingo ensolarado, às 10 horas da manhã. A Praça Getúlio Vargas só não estava deserta porque um numeroso ajuntamento de idosos, bem idosos, ignorando a crise mundial festejava a cultura. Nem parecia tempo de pandemia – e assim era na última tenda, bem ao lado do sinal luminoso da Rua Miguel de Frias. Todos os demais lugares eram uma verdadeira cidade fantasma. Desertos. Lá estava altaneiro o banner “ESCRITORES AO AR LIVRO”. A velharada toda lá reunida. Alberto Araújo, que não perde um lance, lá compareceu para fazer sua habitual cobertura jornalística. Se por lá chegasse um único coronavírus, com uma só foiçada ceifaria bem uns 30, ou mais teimosos cabeças duras. Conversando alegremente Sávio Soares de Sousa recitava uma trova de amor; tentando dizer uma trova esbravejava a nonagenária Gilda; distribuindo convites para festa na Casa da Amizade via-se a dinâmica Zeneida Seixas que se fazia acompanhar de Paulinho, seu marido, o qual, juntamente com o dentista Ronald, falava de maçonaria; a maestrina Mimi Lüke sempre meiga e cordial; O Professor Robert Preis e a catedrática Aidyl conversavam enamorados; Aldo e Marcia Pessanha vieram da UFF diretamente para a tenda “ESCRITORES AO AR LIVRO”; Dulce Matos lépida como sempre; as irmãs gêmeas não fizeram por menos e lá estavam Neide e Nilde; nossa vistosa Primeira Secretária da ANL, Uyára Schiefer, compareceu elegantemente vestida; o anfitrião, Paulo Roberto Cecchetti, combatente jornalista niteroiense oferecia uma farta mesa de biscoitos e vinhos.

Do domingo voltei para sábado, uma tarde linda, em Santa Rosa. Na casa nº 15, a última casa da vila, na Rua Santos Moreira nº 50, a dinâmica Neide Barros Rêgo, conversava com as 53 pessoas que lotavam o auditório de 50 lugares. Neide, como sempre, muito organizada dirigia sua eficiente equipe. Olhei rapidamente o programa e lá estavam em três blocos: além de mim, lembro-me ter visto, Walmir Ventura Rêgo, vestindo camisa clara, sorriso largo, sentado na primeira fila, mas não constava da programação. Gentil da Costa Lima veio falar comigo; Gracinha Rego atenta e atuante; Graça Thuler na segunda fila; Marly Prates sentada à direita de quem vê do palco; Ruthinha; Ana Regina; Francisca e sua filha Silvinha; André Varela; Alex Peixoto que acabara de chegar; De Luna estava à esquerda na primeira cadeira, Zeneida Seixas, Carmem Brasil ao lado de Mariney Klecz; Nilde Diuana; Shirley Baesso ao lado de Shirley do Alberto Araújo - o jornalista da vida cultural niteroiense. Entre tantos outros declamadores e convidados, estes eram os que consegui visualizar. Notei as ausências de Fabiana Latgé e Murilo Lima

Eu, que fora incluído na programação na última hora, comecei a declamar o poema “Não silenciem o canto”, de Maria Sabina: Ipsis lítteris:

Não silenciem o canto

que o canto do pássaro vem do alto.

É um límpido cristal escorrendo do azul,

é um pouco de doçura, é um pouco de infinito,

um frêmito de amor como resposta a um grito.

Preocupado com a infame pandemia, não consegui dizer todo o poema.

Terminado o recital, descemos para um coquetel oferecido pela anfitriã. Aproveitando a ocasião saímos à francesa, pois já estava um pouco tarde.

Senti um toque suave no braço esquerdo, ou direito. Não me lembro bem e não estou aqui para dizer inverdades. Foi quando minha esposa perguntou: você vai ficar dormindo até que horas?


*Presidente da Academia Niteroiense de Letras


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