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Rodrigo fecha Niterói e restringe atendimento da rede de saúde aos moradores

Por Luiz Augusto Erthal



Acessos a Niterói terão controle rigoroso

Ao mesmo tempo em que determina o aporte de dezenas de milhões de reais ao Fundo Estadual de Saúde para construção, em parceria com o governo do estado, de um hospital de campanha em São Gonçalo, conforme anunciado em primeira mão pelo TODA PALAVRA, o prefeito Rodrigo Neves anuncia o fechamento da cidade por 14 dias - de 4 a 18 de abril -, sob alegação de ser parte da estratégia bem sucedida, até agora, de frear o avanço da contaminação por coronavírus em Niterói.

Ao impedir o acesso de moradores de cidades vizinhas, como São Gonçalo, Maricá e o Rio de Janeiro, com as quais Niterói faz divisa - mas não só dessas - o prefeito está, na verdade, restringindo o ingresso de cidadãos de fora no sistema de saúde do município, que é referência para todo o Leste fluminense.

Ex-capital do Estado do Rio, Niterói continua sendo pólo de atração de fluminenses do interior e, nos últimos anos, se tornou um grande centro de tratamento de saúde, cuja rede privada - uma das melhores do país - recebe pacientes de vários municípios. A par disso, a cidade vem se preparando com dinamismo e capital, por ser o segundo maior arrecadador de royalties de petróleo do estado, sob a liderança de Rodrigo Neves, que estabeleceu uma trégua com a oposição e vem unindo o município em torno da luta contra a pandemia. Ele está investindo até agora R$ 200 milhões em diversas ações, que incluem a criação de 200 leitos com respiradores para atender os pacientes infectados pelo Covid-19.

O aporte para ajudar na construção do hospital de campanha de São Gonçalo, inicialmente de R$ 45 milhões, conforme dito por Rodrigo em reunião virtual com os vereadores, tem um claro objetivo, reafirmado pelo próprio prefeito: blindar Niterói da pressão da cidade vizinha - com mais de um milhão de habitantes - sobre o seu sistema de saúde. A mensagem, enviada por ele nesta quarta-feira (1/4) à Câmara Municipal, parece apontar uma redução do valor inicialmente anunciado, caindo para R$ 30 milhões. Ainda assim, um volume de recursos significativo.

Mas o hospital de São Gonçalo levará mais de um mês para ser montado - a tendência é que nesse período aquela cidade registre um avanço significativo de pessoas contaminadas - e, ainda assim, oferecerá 200 leitos para uma cidade de mais de um milhão de habitantes, enquanto Niterói, com menos da metade da população, já providenciou os seus 200 leitos. Nesta quarta-feira (1/4), por sinal, veio a óbito a primeira vítima gonçalense confirmada de infecção por coronavírus. Era uma professora que se encontrava internada, não por acaso, em um hospital particular de Niterói.

Durante as próximas duas semanas dificilmente algum outro paciente de cidades vizinhas conseguirá recorrer à rede de saúde de Niterói. Homens da Guarda Municipal e policiais militares do programa Niterói Presente montarão guarda em 28 entradas da cidade, das quais 21 estarão fisicamente interditadas por blocos de concreto. Nas outras sete - incluindo a Avenida do Contorno - trecho da BR 101 que dá acesso à ponte Rio-Niterói - e a Alameda São Boaventura - continuação da RJ 104 que também faz a interligação com a ponte -, dois importantes corredores rodoviários que atravessam Niterói, haverá bloqueios policiais para filtrar quem pode entrar na cidade.

Segundo o anúncio de Rodrigo, além dos moradores de Niterói que estejam documentados para fazer prova de residência, só entrarão trabalhadores de serviços essenciais, como os da área médica e dos comércios autorizados a funcionar. Os ônibus intermunicipais com destino ao Terminal João Goulart, que já trafegam com frota reduzida, diminuirão ainda mais a frequência das viagens, que serão limitadas a 25% do fluxo normal. Caminhões terão trânsito livre.

Médicos italianos têm relatado com frequência o dilema dramático de se verem forçados a escolher quem viverá ou não ao terem que definir aquele que usará o respirador mecânico, já que não há equipamentos suficientes para todos os doentes. Em Niterói, talvez, essa escolha recaia não por alguém de jaleco branco, mas sobre policiais e agentes fardados que farão o controle dos acessos à cidade, apontada como exemplo brasileiro no combate à pandemia.

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