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Solidariedade: Niterói não esquece ninguém na crise


O Comitê da Solidariedade criado no Preventório comprou de produtores de alimentos das 5 mil cestas já distribuídas

Além de ser reconhecida, inclusive internacionalmente, por importantes jornais americanos, alemães e franceses, como um exemplo a ser seguido por outras cidades no combate ao coronavírus, Niterói tem olhado com compaixão e solidariedade para os menos favorecidos, atingidos em cheio pela crise econômica desencadeada pela pandemia.

Não só a própria prefeitura, com um conjunto importante de ações sociais, garantindo, por exemplo, renda básica para cerca de 35 mil famílias, mas instituições locais, como os sindicatos, através da Frente Intersindical do Leste Fluminense, e a própria população têm se mobilizado no socorro aos mais necessitados.

Um grande exemplo de cooperação comunitária tem sido dado por algumas comunidades importantes de Niterói, como a Vila Ipiranga, no Fonseca, e o Morro do Preventório, em Charitas, onde milhades de cestas básicas já foram distribuídas a partir da ação dos próprios moradores. No Preventório, que tem forte tradição colaborativa, a vaquinha do Banco Comunitário já arrecadou R$ 25 mil.


Banco comunitário arrecada R$ 25 mil e ajuda o Preventório


Por Clarice Manhã


Ação apoiou também produtores e comerciantes locais

Quando biólogos norte-americanos desafiaram a “lei do mais forte”, afirmando o poder da generosidade sobre a evolução das espécies, causaram muita polêmica. A teoria controversa segue tentando se consolidar na ciência moderna, mas na comunidade do Preventório, em Charitas, a tese já está mais que comprovada. É uma realidade. Agora durante Pandemia, isolamento social e falta de renda, foi a solidariedade que matou a fome de centenas de famílias até a chegada dos auxílios emergenciais.

A ação solidária partiu do Banco Comunitário do Preventório. Em dois meses foram arrecadados R$ 25 mil, revertidos em alimentos para mais de 5 mil famílias. A ideia era simples: fazer uma vaquinha virtual, comprar alimentos da agricultura familiar e comerciantes locais, gerando renda para estes que do dia para noite ficaram sem ter a quem vender. Depois, distribuir cestas para aqueles que não podiam comprar. Já o desafio, enorme.

Primeiramente foi preciso resguardar parte da “linha de frente” do Banco, incluindo sua presidente, Sônia Rodrigues, 65, inserida do grupo de risco. “A ordem era se isolar para evitar a contaminação. Mas quem vive na favela sabe que isso não é possível por completo, pois as nossas conquistas para viver melhor sempre são coletivas. Se todos se trancassem em casa, muitos passariam fome. Então fizemos um revezamento, e quem pôde arregaçou as mangas pelos demais”, observou a dirigente comunitária.

Foi aí que surgiu o Comitê da Solidariedade, reunindo 100 voluntários e 60 líderes comunitários para concretizar o plano. Eles dividem as tarefas de fazer a comunicação que sensibiliza doadores, compras, armazenamento, montagem das cestas, distribuição e prestação de contas. O grupo age com cuidado para minimizar os riscos de contaminação de todos os envolvidos, principalmente evitando aglomeração na hora da doação. “Eu mesma higienizo tudo com cloro e álcool. Poderia estar resguardada em casa, mas me sinto feliz em poder ajudar o próximo de alguma forma” explica a assistente social Cristiane Maciel, voluntária.

Para o agricultor Tiago Catique, a notícia da Vaquinha Solidária não poderia ter chegado em hora melhor. Isso porque ele e sua família fornecem tomate sem agrotóxico para as escolas municipais de Niterói, e toda a sua produção estava voltada para a colheita em março e abril, período em que faria as entregas. As aulas foram suspensas, mas os frutos continuaram amadurecendo. “Não tinha onde escoar um volume grande de repente. Teria que vender num preço muito baixo ou doar. Se não fosse a Vaquinha seria um prejuízo enorme”, disse.

Cuidado com qualidade dos alimentos das cestas básicas

Quando soube que o isolamento social aconteceria mesmo em Niterói, a comerciante Marcele Barcía, do Preventório, pensou que durante a quarentena a renda de seus clientes ia cair tanto que não seria possível manter o mercadinho aberto. Mas, com a venda grande conseguiu se manter de pé, até a chegada do auxílio emergencial para os moradores. “Vender para as cestas me salvou! Foi uma ajuda e tanto”.

É somente quando o alimento chega nas mãos dos beneficiários que se pode dizer que o ciclo foi cumprido com sucesso. E quem confirma é a manicure Natália Vieira, 25, que por conta da crise está impedida de trabalhar. “Eu e todas as minhas vizinhas recebemos. Foi um grande alívio, veio na hora certa. Receber a solidariedade de alguém alimenta também a nossa fé no ser humano”.

O comitê da Solidariedade está conseguindo expandir sua atuação para fora do eixo Preventório-Jacaré-Jurujuba. Com o apoio de redes de supermercados e outras entidades já atendeu famílias em Engenhoca e Cavalão, e também nos municípios de São Gonçalo, Maricá e Itaboraí. A meta inicial, R$10 mil, foi atingida, dobrada com sucesso e agora subiu para R$ 60 mil. A vaquinha virtual continua no ar, e quem quiser participar basta acessar as redes sociais do Banco.

O pesquisador do Laboratório de Informática e Sociedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LABIS-UFRJ) , Henrique Cukierman, torce para que as ações solidárias surgidas durante a pandemia se perpetuem no Preventório e em outras comunidades do Rio de Janeiro após a crise. “ A vaquinha construiu essa ponte entre quem produz e vende comida e aqueles que têm fome mas não tinham dinheiro. Torço para que a iniciativa continue, e essa rede continue mobilizada”.


Vaquinha lançada logo no início da quarentena


Marcos Rodrigo, fundador do Banco do Preventório

Fundador do Banco Comunitário do Preventório e idealizador da Vaquinha Virtual, o pesquisador Marcos Rodrigo Ferreira acredita que a rapidez da ação – a distribuição das cestas começou logo no início da quarentena em Niterói, só foi possível porque já havia um trabalho de mobilização anterior, fruto de quase uma década de articulação. “O Banco tem uma rede de relações muito intensa, dentro e fora da comunidade, sempre pautada na solidariedade. Os serviços oferecidos nos aproximam dos moradores, a gente sabe quem precisa realmente, num universo de 12 mil pessoas. E também temos diálogo constante com agricultores, pesquisadores da UFRJ, e outros agentes do bem comum”.

Marcos conta que as ações do Comitê da Solidariedade se baseiam na troca de experiências com grupos de todo Brasil e até de outros países. Em fevereiro deste ano ele representou o Brasil no encontro Projeto Urbe Latam, na Colômbia, onde os riscos da pandemia para as comunidades em vulnerabilidade social já estavam em discussão. “Nasci e cresci em comunidades, e sei que sem o comportamento solidário, esse estado de espírito onde há cuidado com outro, os mais pobres teriam ainda menos oportunidade de uma vida digna”, observa. (CM)


A colaboração que desafia a Evolução


Até hoje a célebre teoria do britânico Charles Darwin afirma que foi a competição constante entre os indivíduos que permitiu a sobrevivência dos mais bem adaptados ao meio. Eis que o cientista Edward Wilson, professor da Universidade de Harvard, revolucionou essa tese ao mostrar que um grupo pode alcançar muito mais sucesso quando atua de forma coletiva e em benefício dos outros.

Em seu livro ‘A Conquista Social da Terra’ ele não ousa contrariar o pai da Evolução, mas complementa sua tese ao dizer que o processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades nas quais os indivíduos colaboram uns com os outros para um objetivo comum. Assim, grupos de pessoas, empresas e até países que agem pensando em benefício dos outros e de forma coletiva alcançam mais sucesso, conforme o estudo americano. (CM)


Movimento solidário apoia moradores da Vila Ipiranga


Moradores da Vila Ipiranga já montaram 200 cestas básicas e agora querem chegar a 500

O Projeto Vila Solidária já arrecadou mais de 200 cestas básicas com produtos de alimentação e higiene. A meta agora é chegar a 500 cestas básicas para os moradores da Vila Ipiranga, uma das maiores comunidades de Niterói, no Fonseca, e berço da Escola de Samba Sabiá, a primeira a ser criada em Niterói. Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelo telefone 99662 9318.

Segundo Jhonatan Anjos, coordenador do trabalho, o Movimento Vila Solidária superou o objetivo inicial de 50 cestas bássicas para moradores da Vila Ipiranga. "Para nossa feliz surpresa, o movimento foi crescendo e em 45 dias de ação, já conseguimos entregar mais de 200 cestas para famílias da Vila Ipiranga, Santo Cristo e outras da região, e agora parte para a meta de 500 cestas".


Cestas básicas também para trabalhadores desempregados


O SEEN funciona como base de recebimento e distribuição das cestas básicas fornecidas por outros sindicatos

Um grupo de sindicatos que formam o Fórum Intersindical do Leste Fluminense montou uma base de apoio no Sindicato dos Empregados em Edifícios de Niterói (SEEN), na Rua Fróes da Cruz, 26, para receber doações de alimentos. Os mantimentos são reunidos em cestas básicas que estão sendo oferecidas para trabalhadores que perderam o emprego e não recebem auxílio do governo. Participam também Sintcom, STIPDAENIT e Simpospetro.


Município socorre cerca de 35 mil famílias pobres

Além das ações voltadas para a adequação da rede municipal de saúde com o objetivo de atender aos pacientes da covid-19 e de fortalecimento de empresas da cidade atingidas pela crise econômica provocada pela pandemia, a prefeitura de Niterói vem realizando um amplo programa no campo social. Cerca de 35 mil famílias da cidade estão sendo beneficiadas pelas medidas, que podem ser vistas abaixo em ordem cronológica:

19/03- Distribuição de 32 mil cestas básicas às famílias dos alunos da rede de Educação;

25/03 - Arrendamento de hotel para a população em situação de rua fazer a quarentena;

25/03 -Distribuição de 80 mil kits de limpeza para comunidades por meio do Programa Médico de Família. Cada kit contém sabão em pó, álcool, água sanitária e sabonete;

26/03 – Anúncio do auxílio de R$ 500 reais para cada um dos 7 mil microempreendedores individuais (MEIs) nos meses de abril, maior e junho;

08/04 - Entrega de um milhão de máscaras para população de Niterói;

16 e 17/04 – Entrega dos cartões de auxílio do Programa Busca Ativa para catadores de recicláveis, vendedores ambulantes, trabalhadores da economia solidária e artesãos;

20/04 – Início da entrega dos cartões de auxílio do Programa Renda Básica para 35 mil pessoas;

27/04 – Ampliação do auxílio econômico do Renda Básica Temporária para alunos matriculados na rede municipal de ensino;

29/04 – Antecipação do crédito de R$ 500 do Programa Renda Básica Temporária para os inscritos do cadastro único;

29/04 – Inauguração do primeiro centro de quarentena do país para Covid-19 com 120 leitos, no Ciep Esther Botelho Orestes, no Cantagalo;

29/04 – Ampliação do programa Renda Básica Temporária para jornaleiros e envio de projeto para incluir motoristas de aplicativos residentes em Niterói;

29/04 - Pagamento da primeira parcela do Programa Taxista Amigo;

12/05 - Cadastro para cestas básicas destinadas à famílias em vulnerabilidade social pela Secretaria de Assistência Social;

15/05 - Extensão dos benefícios de Renda Básica Temporária e Busca Ativa até dezembro;

14/05 - Publicação no DO para auxílio de motoristas de aplicativos.

Matéria de capa da edição impressa de maio do jornal TODA PALAVRA. Leia a edição completa em versão digital.


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