11 partidos pedem que TSE interpele Bolsonaro por acusações


Onze partidos políticos se uniram e protocolaram, neste sábado (31), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento para que o presidente Jair Bolsonaro seja interpelado acerca das acusações feitas por ele, sem apresentar provas, sobre as supostas fraudes em urnas eletrônicas e no sistema eleitoral brasileiro.

Em live na quinta-feira, Bolsonaro disse que há "indícios fortíssimos em fase de aprofundamento", mas os indícios citados foram vídeos que circulam há anos na internet, que já foram fartamente desmentidos, como um que diz que é fácil fraudar o programa da urna eletrônica. O próprio Bolsonaro reconheceu não ter as provas que havia prometido apresentar, mas manteve os ataques ao sisteme eletrônico de votação.

Assinam o requerimento as seguintes legendas: Solidariedade, MDB, PT, PDT, PSDB, PSOL, Rede, Cidadania, PV, PSTU e PCdoB.

Os partidos pedem que o presidente seja obrigado a apresentar “provas” “de suas ilações promovidas durante sua transmissão nas redes sociais que acusam o sistema eleitoral brasileiro de irregularidades”.

"A sequência do pronunciamento, que tinha como objetivo destacar os referidos indícios revelou uma esdrúxula e vexatória exposição de vídeos amadores, sem qualquer menção a métodos de pesquisa e alguns, inclusive, originários de compartilhamentos em redes sociais. O ato configurou um verdadeiro constrangimento às Instituições Democráticas e ao Estado de Direito, reiteradamente atacados pelo Presidente Jair Bolsonaro", afirmam os partidos.

Para os partidos, as reiteradas acusações sem provas feitas por Bolsonaro são graves e criam "levianas palavras que, longe de prestar qualquer contribuição à segurança das eleições, busca desmerecer os pilares democráticos".

Os 11 partidos destacam que a live "foi um ato estritamente político, com críticas expressas a partidos de oposição, deputados e senadores que se manifestam de maneira contrária aos interesses do Presidente Jair Bolsonaro, seguido de inúmeras ofensas ao Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, cuja atuação foi colocada sob suspeita por 'estranhamente' convencer um grande número de pessoas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas."

Os partidos também acusam Bolsonaro de lançar, há meses, “acusações a autoridades públicas, antecipando debate eleitoral e utilizando-se de estrutura pública para palanque político”.

Durante a live, Bolsonaro usou a TV Brasil, emissora pública, para fazer seus ataques ao sistema eleitoral brasileiro. Para os partidos, Bolsonaro tem o dever de apresentar à Justiça documentos que demonstrem o que vem dizendo, sob penas da lei.

Também neste sábado, Bolsonaro participou de nova motociata com apoiadores, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, e utilizou as redes sociais para novamente atacar o sistema eleitoral brasileiro e o voto impresso. Para isso, até elogiou o sistema eleitoral do Paraguai.

As declarações de Bolsonaro ocorrem em meio ao descrédito de seu governo, revelado por sucessivas pesquisas que mostram também, em crescimento constante, rejeição ao seu nome e sendo superado por seus principais concorrentes na preferência dos brasileiros para as eleições de 2022.


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