Minha roupa, minha vida


Num momento em que o policialismo corre solto no país, é estranho que ninguém se incomode em investigar a dinheirama que está entrando no Brasil através da chamada “lei de repatriação”. Entre abril e outubro do ano passado, o governo de Michel Temer arrecadou R$ 46,8 bilhões de dinheiro repatriado pela anistia tributária e penal a pessoas físicas e jurídicas. Apesar de ser chamado de repatriação, o programa não exige que o dinheiro volte ao Brasil. Basta pagar a multa e o IR e o dinheiro fica limpo para ser movimentado regularmente no país.

Vários alertas já foram dados. A lei, primeiramente feita às pressas pelos golpistas e aprovada a toque de caixa na Câmara dos Deputados, é sob encomenda para lavar dinheiro sujo, alertam representantes de auditores fiscais da Receita Federal. Não só através de laranjas, mas também do tráfico internacional de drogas.

Representantes dos auditores percorreram o Governo e o Congresso para alertar que a lei é encomenda para lavar dinheiro sujo com selo de legalidade. Mas todos fazem ouvidos de mouco para não ouvirem os alertas sobre a lavanderia em funcionamento. Até a Lava Jato do juiz Sérgio Moro, dos procuradores e dos delegados “convictos” do triplex de Lula, ao que parece, também não tem sinais auditivos para ouvir denúncias quando “não vem ao caso”.

E os auditores fiscais não são os únicos a denunciar. Até o presidiário e ex-bilionário Eike Batista, diplomado em ganhar dinheiro de múltiplas formas, também revelou em depoimento a seus algozes da Lava Jato que operadores se aproveitaram da lei para “lavar”. Kleber Cabral, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores da Receita Federal (Unafisco), em declaração à coluna Informe do Dia, disse que as revelações de Eike Batista são a prova.

E como não há indignações coletivas contra a prática dos golpistas – imagina se fosse a Dilma? -, o Senado, por decisão da maioria, renovou mais uma etapa para a lavanderia, digo, repatriação: aprovou na semana passada, sem panelaços anticorrupção, uma segunda edição do programa, que bem poderia chamar-se “Minha roupa, minha vida”.

Pela lei, políticos e seus parentes não podem aderir ao programa. Num mundo de dinheiro globalizado e um sem número de paraísos fiscais e uma máquina de corrupção a todo vapor, não se pode imaginar que isto lá seja algum impedimento para “lavar”. Tudo sem o menor constrangimento. E sob o silêncio complacente dos grandes grupos de comunicação, que ajudaram a derrubar uma presidente legítima em nome de estancar os dutos da corrupção. Vê-se agora.


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