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Odebrecht: "A imprensa sabia"


Em seu depoimento, o patriarca e fundador da construtora cujas delações na operação Lava Jato estão estremecendo os pilares políticos do país, Emílio Odebrecht, colocou o dedo na ferida: "A imprensa sabia de tudo", afirmou o empresário, desmascarando a cumplicidade dos grandes meios de comunicação com poderosos grupos políticos e empresariais que, segundo ele, "há 30 anos" têm conduzido as práticas corruptas que agora vêm a público com a delação premiada feita pelos executivos da Odebrecht.

Emílio Odebrecht enfatizou - veja vídeo editado por Fernando Brito, do Tijolaço - que "um negócio institucionalizado", visto como "uma coisa normal", é prática comum há várias décadas. "O que me entristece", afirmou, "é que a imprensa sabia disso e agora fica com essa demagogia". Mas a conivência e até participação de jornalistas e veículos de comunicação não ficou restrita ao desabafo genérico do velho Emílio. A grande imprensa tem sido delatada em outros depoimentos mais específicos.

Globo, Odebrecht e FHC

No blog O Cafezinho, Miguel do Rosário, destaca que em o empresário Emilio Odebrecht menciona em sua delação premiada "a existência de uma "sociedade privada", com participação da Globo, com objetivo de fazer lobby pela privatização da telefonia pública e pela quebra do monopólio do Estado no setor de petróleo. "É um lobby diretamente ligado ao financiamento político do PSDB e do governo FHC", ressalta. "Pelo depoimento de Emilio, fica evidente que a Lava Jato começa com Odebrecht e Globo organizando, para o governo, o arcabouço jurídico dos setores de telecomunicação e petróleo, no Brasil, durante os anos seguintes. É o início do "petrolão", observa. No mesmo vídeo, Emilio admite que financiou, via caixa 1 e 2, as duas campanhas de Fernando Henrique Cardoso.

Veja o vídeo completo referente à delação citada por Miguel do Rosário em https://youtu.be/gC61JOLzU5o.

Diogo Mainardi

Entre os próceres da mídia tradicional, senão na forma ao menos no conteúdo, um nome que acabou sendo explicitamente citado em delação é o do jornalista, Diogo Mainardi, editor do site ultraconservador O Antagonista e comentarista na GloboNews. Ele foi citado pelo ex-vice presidente da Odebrecht, Henrique Valladares, em delação premiada envolvendo o senador Aécio Neves (PSDB-MG). Segundo o executivo, Mainardi foi visto jantando com o tucano no restaurante Gero, no Rio de Janeiro, junto também com o empresário Alexandre Accioly, em um encontro em que teriam sido negociadas propinas da empreiteira. Diogo negou o fato: “Isso é mentira. O jantar nunca ocorreu. Cruzei com os dois no Gero – mais de uma vez – e sempre os cumprimentei. É evidente que eu não teria o menor problema em admitir um jantar com Aécio Neves e Alexandre Accioly".

Nisso Mainardi tem razão: a sua intimidade com Aécio não é nenhuma novidade. O marqueteiro responsável pelas campanhas vitoriosas de Aécio ao governo de Minas em 2002 e 2006, Paulo Vasconcelos, é o dono da Webcitizen, empresa que há vários anos vem mantendo relações com o site O Antagonista, de Diogo Mainardi. Segundo a imprensa vem divulgando, delações da Odebrecht apontam que o senador Aécio Neves era pago por meio de repasses a uma das agências de publicidade de Paulo Vasconcelos.

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