Patacoadas premiadas da Lava Jato


A ribalta por onde desfilam com desenvoltura quase uma centena de delatores da Odebrecht - leia-se delinquentes confessos, corruptos e corruptores que há décadas desviam os recursos do país que deveriam estar sendo usados para minorar o sofrimento do povo brasileiro - ilumina, entre muitas denúncias escabrosas e inegáveis, algumas autênticas patacoadas igualmente premiadas e difundidas levianamente pela grande mídia. Parte delas que vieram a calhar como desforras políticas.

É o caso do depoimento de Pedro Novis, lançando, 34 anos depois, suspeitas sobre a construção do Sambódromo, durante o primeiro governo Brizola, no Estado do Rio. Fernando Brito, em seu Tijolaço, logo identificou o ardil que pretendia lançar a memória de um homem honrado e íntegro, já guindado ao panteão dos heróis da Pátria, na mesma lama onde chafurdam hoje todos os políticos que se uniram no passado para derrotá-lo. Tratou de desmascarar o pulha.

Pedro Novis, conforme demonstra o seu próprio currículo, reproduzido por Brito em seu post de ontem, ingressou na Odebrecht em 1985. A construção do Sambódromo, realizada sob a responsabilidade da empreiteira Mendes Júnior, tendo a CBPO - uma subsidiária da Odebrecht - como coadjuvante, foi concluída em março de 1984. Portanto, Pedro Novis está delatando o que não viu e incorrendo, no mínimo, no crime de perjúrio diante do magistrado responsável pela Lava Jato, juiz Sérgio Moro, de quem se espera, agora, as providências cabíveis em face dessa constatada fraude testemunhal.

Aliás, é de se estranhar que o promotor responsável por colher aquele depoimento não pediu ao delator que prestasse maiores esclarecimentos, como, por exemplo, em que momento ele ingressara na Odebrecht e como ele tomou conhecimento dos supostos fatos relatados.

Mas O Globo, que no passado combateu ferozmente a obra de Brizola, hoje consagrada como o Maracanã do samba, fazendo vista grossa para o falso testemunho tornado indelével pelo Tijolaço, encontrou na vendeta de Novis boa oportunidade para revisitar o seu velho ódio ao brizolismo. Mas, como sempre, hoje tanto quanto no passado, lançando mão de recursos sórdidos e fraudulentos, como esse que agora desafia os investigadores da Lava Jato a confrontar delatores que podem colocar em xeque a credibilidade das investigações.

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