Exposição anti-manicomial na Câmara


A Câmara de Vereadores de Niterói está com a exposição “Compasso e descompasso” aberta à visitação pública em dois espaços. No hall de entrada e no salão nobre. A mostra reúne obras de artistas que passaram por algum tipo de transtorno psíquico ou mudança de comportamento e o evento faz parte das comemorações pelo do Dia da Luta Anti-manicomial, celebrada em 18 de maio. A iniciativa é da Comissão de Saúde e Bem estar Social da Casa. “As doenças que afetam a mente envolvem prioritariamente os familiares, mas deve ser uma luta da sociedade como um todo. Com a inauguração do túnel que liga Charitas ao Cafubá perdemos parte de um espaço de saúde importantíssimo, o Hospital Psiquiátrico de Jurujuba. Estive no hospital e constatei a importância de muitos trabalhos terapêuticos ali desenvolvidos. Esse evento, além de mostrar o trabalho dos artistas, visa dar visibilidade à questão da saúde mental”, disse o vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL), responsável pela exposição e presidente da Comissão de Saúde.

Um dos expositores presentes é Everaldo Nunes de Oliveira, de 72 anos, pai de três filhos. Entre eles, uma filha de 21 anos, que morreu atropelada no acostamento da RJ-106, em 1993. Depois do trágico acidente, Everaldo começou a enfrentar sérios problemas de comportamento que o levaram ao isolamento. Diagnosticado com Síndrome do Pânico ele encontrou na arte a alternativa de cura e descobriu um novo talento.

- Fiz meu primeiro desenho em 2000. Não parei mais. Hoje contabilizo mais de 200 obras. Acordo de madrugada e coloco a imaginação para funcionar. A arte pode resgatar as pessoas – diz Everaldo, que trabalha com lápis de cor, aquarelas, grafite, jornal e uma série de outros materiais recicláveis.

Outro que tem seus trabalhos expostos é João Morais, de 61 anos. João sempre trabalhou de forma voluntária como fotógrafo em eventos públicos e reuniões sociais. Entre os que já foram clicados pela lente sensível de João estão o jornalista Fernando Gabeira e o compositor Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha.

Segundo o fotógrafo, que atualmente diz estar afastado das lentes, foi Gonzaguinha quem guardou seu material fotográfico para que não fosse perdido. Os dois chegaram a estudar juntos no Colégio Lafayette, no Rio. João Morais é paciente do Centro de Atenção Psicossocial Herbert de Souza, da Fundação Municipal de Saúde. Além de familiares, amigos, artistas e convidados também participou da abertura da exposição a vereadora Talíria Petrone (PSOL), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Casa. A vereadora ressaltou que uma das missões de sua comissão é o combate à discriminação, sendo fundamental “a inclusão dos pacientes com transtornos mentais na sociedade”. Ao final da abertura os dois ganharam certificados de participação. A mostra é aberta ao público e à visitação vai até 31 de dezembro, no horário de 10h às 16h.

Ascon/CMN

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