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Lula, Pelé, Ciro e Amarildo


Eucimar Oliveira

Lula é o dono do tríplex no Guarujá, praia de segunda com povo de primeira? Tudo indica que não.

Há provas de corrupção do ex-presidente? Nada aponta para uma resposta afirmativa.

Defender a libertação de um gigantesco líder popular é um exercício de cidadania? Mais do que isso, trata-se de obrigação e dever sem renúncia dos que acreditam, professam e exercitam os valores de uma sociedade justa.

Lula será candidato? Encarcerado num labirinto judicial, não há mais novelo de lã e o Minotauro parece ser o vencedor.

Até que surja outro Teseu. Negado e renegado agora até pelos admiradores da vítima.

Pesquisas de intenção de voto dirigem um enorme favoritismo àquele que, improvavelmente, será um concorrente. A direita, atônita, está a celebrar esta quimera. Parte, reparte e enfraquece a mudança.

Alguns mais ouvidos e lidos chegam ao disparate de dizer que Lula é açoitado pelo judiciário e seu satélite na imprensa da mesma forma em que é sabotado por exponentes do campo progressista.

Estultícia e argumentos de sandeus.

Eleição sem Lula não é fraude. São os 45 minutos iniciais nos quais o conservadorismo contou com a boa vontade e a cegueira do juiz para ganhar.

Falta o segundo tempo.

É preciso substituir, trocar um jogador, reagir e ganhar. Se assim pensa quem está no vestiário da esquerda.

Nesta comissão técnica alguns já se manifestaram a favor da entrada de um novo centroavante querido do povo e ao lado do povo. Levaram um pito: Jacques Wagner, Rui Costa, Wellington Dias, por exemplo.

Hoje, quem aquece, corre ao lado do relvado e espera a autorização para entrar é Ciro Gomes. Há outros bons nomes entre os reservas. Um Boulos talentoso e uma Manuela incisiva. Mas incapazes de virar o jogo.

Ponto.

Ciro não cumpre a agenda do PT e respeita o tempo do Partido dos Trabalhadores. No que faz muito bem.

Mas não rejeita do petismo e seus assemelhados na defesa pela inclusão social, recuperação da indústria, freio no rentismo e vigorosa posição em favor dos interesses nacionais. E mais: instrumentos e ferramentas novas para o Brasil crescer.

Basta ver suas posições sobre o desmonte da Petrobras ou o leilão da Eletrobras.

Ora, mas Ciro é a favor da reforma da Previdência. É verdade, mas não essa proposta pelo mercado. Talvez até uma mais equilibrada socialmente do que aquela que Dilma Roussef mandaria ao Congresso caso não fosse alvo de um golpe parlamentar.

Sobre a reforma trabalhista, o que já disse é para fazer tremer os neo-escravocatas.

O segundo tempo começou, times nas quatro linhas. A torcida se anima e parte, boa parte dela, já percebeu que a chance de vitória depende de um novo jogador em campo.

Como o período é propício às imagens futebolísticas, não faz muito e a presidente do PT, Gleisi Hoffman, bradou: Lula é nosso melhor jogador, nosso Pelé, e não pode ficar no banco. Até aí tudo bem, senadora. Mas Lula foi casuisticamente interditado. Lembra hoje o Pelé da Copa do Chile, sem condições de jogo. Mas tomara que agora, como naqueles tempos idos, o povo, o único treinador capaz, ponha em campo um novo Amarildo. O homem que garantiu o nosso segundo caneco.

Eucimar Oliveira é jornalista.

#Lula #Pelé #CiroGomes #Amarildo #Eleiçãoparapresidente