Ação do BOPE deixa 8 corpos em manguezal de São Gonçalo


Foto: Divulgação

Pelo menos oito corpos, ainda sem identificação, foram retirados por moradores de um manguezal no bairro das Palmeiras, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na manhã desta segunda-feira (22/11). Eles foram vítimas da guerra entre traficantes e a Polícia Militar, mas os cadáveres tiveram que ser recolhidos pela própria população porque a Defesa Civil alegou falta de segurança para entrar na região de mata onde os corpos foram encontrados.


O último fim de semana foi marcado por intesos confrontos na região entre policiais militares e traficantes após a morte do sargento da Polícia Militar Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos, morto a tiros no sábado (20/11) durante uma incursõ dos policiais no Complexo do Salgueiro.


De acordo com a Polícia Militar, PMs do 7º BPM (São Gonçalo) faziam patrulhamento no bairro de Itaúna quando foram atacados por criminosos com disparos de arma de fogo. Na ação em que um fuzil AK-47 foi apreendido, o sargento acabou baleado. O militar chegou a ser levado para a emergência do Hospital Estadual Alberto Torres, também em São Gonçalo, mas não resistiu aos ferimentos.


Ainda no sábado, o 7º BPM pediu apoio ao Batalhão de Operações Especiais (Bope), que invadiu a região, onde entrou em combate com criminosos. Já no domingo (21/11), uma idosa de 71 anos, identificada como Carmelita Francisca de Oliveira, foi atingida no braço esquerdo durante operação policial. A vítima foi socorrida também no HEAT e passa bem.


De acordo com a corporação, por volta das 3h, as equipes do Bope realizavam patrulhamento no Salgueiro quando criminosos que estavam em uma área de mata atiraram contra os policiais, dando início a um confronto.


No local dos confrontos foram apreendidos uma espingarda calibre 12; 56 munições calibre 7,62; um "kit Ronny"; 10 radiotransmissores; 36 sacos contendo 576 frascos de vidro; um galão com lança-perfume; 120 sacos com crack; 11 sacos com 588 pinos de cocaína; um saco com cocaína e quatro balanças de precisão. Não houve presos, mas o porta-voz da PM disse acreditar que outros criminosos conseguiram fugir feridos. O registro foi feito na 72ª DP (São Gonçalo).


Moradores apontam chacina


Moradores da região usaram as redes sociais para criticar a ação, que, segundo eles, teria sido uma chacina. Sem a chegada do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar ao local na manhã desta segunda-feira, após serem retirados do manguezal, os corpos foram enfileirados pelos moradores e cobertos com um lençóis na Rua Pedro Anunciato da Cruz. Populares também relataram que os cadáveres apresentam sinais de tortura.


O tenente-coronel Ivan Blaz, porta-voz da PM, comentou sobre a ação em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo. “Estes confrontos foram intensos, foram na área de mangue, é uma área de difícil trânsito. Logicamente estamos falando de um momento em que marginais estavam no interior da mata fechada", disse.


Em nota, a Defensoria Pública do RJ afirmoum ter recebido “relatos sobre a violenta operação no Complexo do Salgueiro” e comunicou o fato ao Ministério Público, “para a adoção de medidas cabíveis a fim de interromper as violações”.


Nova operação nesta segunda-feira


De acordo com o porta-voz, uma nova operação será realizada nesta segunda-feira para escoltar a perícia até o local de onde os corpos foram removidos. O tenente-coronel Ivan Blaz afirma que criminosos tomaram colégios da região para servir de abrigo e, por isso, é necessário garantir a segurança dos profissionais que irão à região conflagrada.


“O Bope, segundo estas informações, podemos deduzir que houve inúmeros feridos neste confronto entre policiais e marginais nesta área de mata fechada. Logicamente, em se tratando de um momento de instabilidade, não foi possível fazer esta varredura. Agora, ao longo do dia, podemos ter este trabalho já com a perícia, uma vez que o caso já foi registrado na Polícia Civil”, afirmou o representante da PM.

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