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A nova realidade do comércio entre os países do BRICS

  • há 19 minutos
  • 7 min de leitura
Foto: Ralf Hahn / iStock
Foto: Ralf Hahn / iStock

O comércio entre os países do BRICS em 2025 superou US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões). O que está impulsionando o crescimento do volume comercial, transformando os países do grupo e seus parceiros em uma importante associação comercial? Quais países estão se tornando os motores econômicos desse grupo? E por que as diferenças nos padrões e as dificuldades logísticas, segundo especialistas, podem exigir a criação de novas zonas e formas de comércio no futuro? Leia mais no material da TV BRICS.


BRICS como uma aliança comercial

O BRICS, anteriormente focado na ideia de crescimento econômico, está se transformando em uma das principais associações comerciais, que ativamente está alterando os fluxos de mercadorias em todo o mundo. Segundo estimativas dos analistas do ecossistema Sk Fintech Hub (do Grupo VEB.RF), o volume de comércio do BRICS utilizando moedas nacionais ultrapassou 67%. Além disso, os indicadores macroeconômicos dos países BRICS+ revelam sua relevância significativa para a economia global. Em 2025, a participação do BRICS+ no PIB mundial atingiu 39,7%. O comércio recíproco entre os países do BRICS superou US$ 1 trilhão. Nos últimos 5 anos, o volume de comércio entre os países-membros cresceu, em média, 4,75% ao ano.


"O volume de comércio na região do BRICS está passando por um crescimento acelerado, caracterizado pelo aumento do uso das moedas locais [...]. Ele atingiu o equivalente a US$ 1 trilhão, o que é impulsionado pela integração econômica e pela expansão do grupo, conhecido como BRICS+, com a inclusão de novos países", afirmou, em entrevista exclusiva à TV BRICS, o professor da Faculdade de Ciências Econômicas, Empresariais e de Comunicação da Universidade Europeia de Madrid, Guillermo Miguel Rocafort Pérez.


Atualmente, segundo especialistas, o comércio do BRICS cresce principalmente graças à integração econômica proporcional dos países do grupo. Especialistas esperam um aumento substancial nas importações de mercadorias entre as nações integrantes. Países exportadores, como a China e a Rússia, terão vantagens nesse contexto.


"A China funciona como um pilar de demanda, absorvendo matérias-primas, energia e alimentos, além de ser o principal fornecedor de produtos industriais, máquinas e bens intermediários, atuando efetivamente como um formador de mercado em vários segmentos dentro dos países do BRICS", observou, em entrevista à TV BRICS, o professor associado da Universidade de Artes, Ciências e Comunicação (UNIACC), em Santiago (Chile), Erik Escalona Aguilar.


Além da China, que, de fato, é o maior parceiro comercial de todos os países do BRICS, especialistas apontam para a Índia, que também está se tornando um grande mercado e um fornecedor seletivo. A Rússia e o Brasil continuam sendo jogadores-chave nos mercados de energia e produtos agrícolas. Enquanto isso, a Indonésia, por sua vez, apoia o potencial produtivo do BRICS e sua influência no Sudeste Asiático. Desse modo, especialistas afirmam que os países do BRICS criam uma sinergia macroeconômica em diversos setores, que se fortalece pelo uso das moedas nacionais em transações e pagamentos.


"Uma das principais razões para o crescimento do comércio entre os países do BRICS foi o aumento do uso das moedas locais, conforme acordado nas cúpulas dos chefes de Estado do BRICS na Rússia em 2024 e no Brasil em 2025. [...] Outro fator importante foi o fortalecimento de toda a cadeia de produção graças à cooperação Sul-Sul", afirmou Aníbal Garzón, especialista em Relações Internacionais.



Foto: Lemon_tm / iStock


Particularidades comerciais do BRICS

O BRICS tem uma importância especial no mercado global de recursos naturais. Os países do grupo respondem por mais de 40% da produção mundial de petróleo e cerca de 25% das exportações globais de matérias-primas. Além disso, cerca de 30% das reservas de minério de ferro estão localizadas nos países do BRICS. Nesse contexto, são destacadas nações como Brasil, Rússia, China, Índia, Irã e África do Sul.


Os principais produtos exportados pela Rússia são as matérias-primas, embora, conforme estudos recentes, a participação dos recursos energéticos tenha diminuído. Em 2022, a proporção de petróleo e gás nas exportações totais da Rússia era de cerca de 45%, mas em 2024 essa participação caiu para 32%. Isso se deve ao aumento nas exportações de produtos de outros setores, como a indústria química, metalurgia, alimentos e engenharia. A geografia do comércio exterior da Rússia também mudou nos últimos anos. O principal parceiro comercial da Rússia é a China, para a qual exporta derivados de petróleo, carvão e grãos; e importa eletrônicos, equipamentos e tecnologias digitais. O segundo maior parceiro é a Índia, que compra ativamente o petróleo russo e também desenvolve a cooperação nos setores de construção naval e produção de equipamentos. Os pagamentos são cada vez mais feitos em yuans, rupias indianas e rublos russos.


A China é um dos maiores exportadores do mundo. O país exporta uma quantidade crescente de produtos de alta tecnologia, como automóveis, equipamentos e eletrônicos. Ao mesmo tempo, a China está aumentando suas importações de recursos críticos, como petróleo, microchips e alimentos.


"A China atua como o principal motor de crescimento e integração comercial na região do BRICS, respondendo por cerca de 70% do comércio no grupo, que, nos primeiros nove meses de 2024, totalizou US$ 648 bilhões [R$ 3,34 trilhões]", afirmou Guillermo Miguel Rocafort Pérez.


O Brasil, assim como a Rússia, obtém uma parte significativa de sua receita de exportação a partir de matérias-primas e produtos agrícolas. Entre as matérias-primas, o minério de ferro é o principal produto, seguido pela soja, petróleo bruto e açúcar. Especialistas destacam que o Brasil é um fornecedor essencial de produtos agrícolas e minerais na região do BRICS, com uma participação de 36% nas exportações do grupo em 2024. Além disso, o país importa grandes volumes de fertilizantes da Rússia, o maior produtor mundial desse insumo.


A Índia é um grande exportador mundial de produtos farmacêuticos, eletrônicos, derivados de petróleo, pedras preciosas e joias, produtos de engenharia, couro, brinquedos, têxteis e artigos para o lar. O país também exporta produtos agrícolas, como arroz, chá, café e frutos do mar. A Índia é líder mundial na produção de medicamentos genéricos, que contêm ingredientes farmacêuticos ativos idênticos aos que foram patenteados pelo desenvolvedor original do medicamento.


Logística e tecnologias digitais

Descrevendo as relações comerciais e econômicas dos países do BRICS, o escritor e autor do livro sobre o BRICS, Aníbal Garzón, observou: "Os membros do BRICS buscam gerenciar todo o processo de produção de bens e serviços nos países do Sul Global: desde a extração de matérias-primas até o ciclo completo de produção, incluindo o valor agregado".


No entanto, para impulsionar o crescimento dos negócios e o comércio no BRICS, desempenham um papel importante não apenas os pagamentos em moedas nacionais, mas também o desenvolvimento da logística e das tecnologias. O grupo, contudo, vem enfrentando dificuldades nesse âmbito. A primeira dessas dificuldades é a distância geográfica. Um dos países-membros está na América Latina, três estão na África, dois no Oriente Médio, três na região Ásia-Pacífico, além da Rússia. Isso gera custos comerciais mais altos e realidades continentais muito distintas, que o BRICS está tentando superar por meio do desenvolvimento de corredores de transporte.


"O desenvolvimento de corredores de transporte, ao reduzir o tempo de trânsito e os custos logísticos, age como um multiplicador direto do comércio: onde as rotas estratégicas oferecem uma economia substancial de tempo, a competitividade e o potencial de comércio aumentam", afirmou Erik Escalona Aguilar.


Nesse sentido, o desenvolvimento de corredores de transporte dentro do BRICS é uma tentativa de transformação fundamental da logística dos países do Sul Global e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de reduzir a dependência das rotas comerciais existentes. A Rota Marítima do Norte, como a rota mais curta entre a Europa e a Ásia; o corredor Norte-Sul, que já facilita o transporte de mercadorias da Rússia para o Irã, Índia, países do Golfo Pérsico e Ásia do Sul; o Corredor Transoceânico, cuja formação foi anunciada pela China e pelo Brasil; o conceito de corredor transcontinental de Murmansk até a ponta sul da África; o MTK "Primorie-2", que conecta as províncias do nordeste da China aos portos do sul do krai do Primorie. Ou seja, todas essas rotas em desenvolvimento e com grande potencial estão se tornando fatores de crescimento significativo do comércio entre os países da associação.


Outro fator importante para estimular o comércio no BRICS deve ser a simplificação, unificação e digitalização dos procedimentos aduaneiros. Para isso, será necessário superar as dificuldades relacionadas às diferenças nas legislações nacionais, limitações técnicas e questões de cibersegurança.


"O BRICS não possui um acordo formal de comércio nem uma união aduaneira comum. Cada país mantém suas próprias regras comerciais e legislações. Isso cria barreiras que podem dificultar o comércio", afirmou Aníbal Garzón.


No entanto, o especialista destacou que as realidades econômicas e políticas existentes estão, de fato, incentivando os países do BRICS a superar as barreiras comerciais. O trabalho de integração está sendo feito no nível dos fóruns das administrações aduaneiras do BRICS.



Foto: Unya-MT / iStock


Perspectivas de desenvolvimento do comércio no BRICS

Outro fator importante para o desenvolvimento do comércio entre os países do grupo será garantir a transparência nas transações e criar condições para uma concorrência justa. Para isso, uma das iniciativas é a criação da bolsa de grãos, que, com o tempo, pode se tornar uma verdadeira bolsa de commodities. A criação dessa plataforma, segundo especialistas, é uma oportunidade para tornar o mercado de grãos mais transparente e previsível, desde que os princípios de concorrência sejam capazes de proteger produtores e consumidores contra a escassez artificial e a especulação de preços.


"A bolsa de grãos do BRICS poderia melhorar a formação de preços e a cobertura de riscos, além de facilitar contratos intragrupo, caso fornecesse liquidez suficiente, padrões e um sistema de compensação confiável, embora o efeito provavelmente fosse gradual, dada a necessidade de tempo para a criação da infraestrutura de mercado e atração de volumes", ressalta Erik Escalona Aguilar.


O crescimento do comércio entre os países do BRICS e BRICS+ também pode ser impulsionado pela formação de zonas de livre comércio, que poderiam transformar as relações comerciais predominantemente bilaterais entre os membros do grupo em uma colaboração econômica multilateral. A criação dessa integração poderia reduzir tarifas alfandegárias e eliminar diversas barreiras não tarifárias. Na cúpula do BRICS em Kazan, foi adotada uma declaração em que os países acordaram simplificar os procedimentos e fortalecer a cooperação na área de padronização. Também foram discutidos sistemas de compensação transfronteiriços, que podem promover os pagamentos em moedas nacionais.


O fortalecimento do comércio recíproco também deve ser impulsionado pela criação de um novo sistema de pagamentos, o BRICS Bridge, e pelo uso de moedas digitais nas transações internas. Ainda é necessário definir até que ponto os países do BRICS estão dispostos a integrar suas plataformas de moedas digitais, o que, por sua vez, pode expandir o comércio mútuo.


Assim, a maioria dos especialistas concorda que a resolução das dificuldades nos pagamentos recíprocos, a implementação de compensações e moedas digitais, a redução de tarifas e encargos alfandegários, o desenvolvimento de corredores de transporte, além da participação dos países do BRICS e BRICS+ em outras organizações e grupos de integração, pode elevar o comércio mútuo entre os países integrantes a um novo patamar.


Este material foi elaborado por Svetlana Khristoforova.

Fonte: TV BRICS

 
 
 

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