A sexta-feira 13 de Flordelis, presa em casa, em Niterói


Confirmando as previsões anunciadas pelo TODA PALAVRA, a ex-deputada Flordelis foi presa no início da noite desta sexta-feira, 13, acusada de mandar matar o o seu marido, o pastor Anderson do Carmo, em 2019. A prisão, efetuada na casa onde ela mora, em Pendotiba, Niterói, acontece 48 horas após a cassação do seu mandato pela Câmara dos Deputados. Ela chegou a pedir um habeas corpus preventivo, que não foi dado.

"Amo vocês, fé em Deus", disse repetidamente a pastora para os seus familiares ao deixar a caxa sob custódia da Polícia Civil. Ela foi levada para a Delegacia de Homicídios de Niterói, onde chegou por volta das 19h15m.



Em redes sociais, Flordelis divulgou um vídeo falando que estava indo presa, e pedindo orações.

"Olá gente, chegou o dia que ninguém desejaria chegar. Estou indo presa por algo que eu não fiz, por algo que eu não pratiquei. Eu não sei para quê, mas estou indo com força e com a força de vocês. Orem por mim. Orem, orem. Uma corrente de oração na internet. Busquem a deus, está bom? Um beijo, amo vocês".

A prisão preventiva de Flordelis foi decretada pela juíza Nearis Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói, 24 horas após ser publicado no Diário Oficial da Câmara a cassação do seu mandato e dois anos e dois meses depois do crime.

MP-RJ: 'riscos'

O pedido de prisão foi apresentado nesta mesma sexta-feira pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ), por meio da Promotoria de Justiça junto à 3ª Vara Criminal de Niterói.

Em agosto de 2020, ela e outras 10 pessoas foram denunciadas pelo assassinato, em 2019, do seu então marido, Anderson do Carmo de Souza. Na época, Flordelis não teve sua prisão pedida por deter imunidade parlamentar.

“Com a perda do mandato de parlamentar, a situação jurídica da ré deve ser revista, para sanar a desproporcionalidade que havia entre as medidas cautelares impostas e os fatos imputados e as condutas que a ré praticou para interferir na instrução e se furtar no momento da aplicação da lei penal”, diz o pedido encaminhado à 3ª Vara Criminal de Niterói.

No documento, destaca o MP-RJ que, ao longo de toda a persecução penal, ficou claro que a liberdade da ré colocava em risco tanto a instrução criminal quanto a aplicação da lei penal e que, mesmo sendo cabível e necessária sua prisão preventiva, a decretação só não foi possível devido à imunidade parlamentar.

O pedido de prisão relata que, além da gravidade da conduta criminosa, a ex-deputada, poucos dias após o homicídio, orientou os demais corréus para que o celular da vítima fosse localizado e suas mensagens comprometedoras fossem apagadas, bem como que fossem queimadas as roupas com possíveis vestígios forenses. Ela também providenciou treinamento a réus e testemunhas que foram intimadas para prestarem depoimento em sede policial, solicitando que testemunhas mentissem à polícia e alterassem versões já fornecidas, assim como, por repetidas vezes, descumpriu a medida cautelar de monitoramento eletrônico.

Ainda de acordo com o MP-RJ, Flordelis foi denunciada por arquitetar o homicídio de Anderson, arregimentando e convencendo o executor direto do crime (seu filho Flávio dos Santos Rodrigues) e os demais acusados, a participarem do crime sob a simulação de ter ocorrido um latrocínio. A ex-deputada também financiou a compra da arma usada no assassinato e avisou da chegada da vítima no local em que ela foi executada. O motivo do crime seria o fato de a vítima manter rigoroso controle das finanças familiares e administrar os conflitos de forma rígida, não permitindo tratamento privilegiado das pessoas mais próximas a Flordelis, em detrimento de outros membros da numerosa família.

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