ABI convoca para ato contra a barbárie e o racismo

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) está convocando jornalistas e toda a população para o ato em memória do imigrante congolês Moïse Kabagambe, de 24 anos, brutalmente assassinado no Rio de Janeiro. A manifestação vai ocorrer no próximo sábado (5/2), a partir das 10h, em frente ao quiosque Tropicália, no Posto 8 da Praia da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, local em que o crime foi cometido.

Moïse Kabagambe / Reprodução

De acordo com o presidente da ABI, Paulo Jeronimo, é preciso combater o racismo e o fascismo, assim como todas as formas de violação dos direitos humanos que estão por trás de crimes bárbaros como esse.


"É preciso deter a onda de barbárie que cresce no país, estimulada por declarações do presidente Jair Bolsonaro, um defensor explícito da tortura contra seres humanos. Crimes como o que vitimou Moïse não podem passar em branco. Têm que ser denunciados de forma a que se criem na sociedade anticorpos para deter a ascensão do fascismo e para que se dê um combate sem tréguas ao racismo. Por outro lado, é preciso que sejam apurados com rigor e seus autores, punidos na forma da lei", defendeu.


IAB: 'indignação'

Por meio de nota, nesta quarta-feira (2), o Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) manifestou sua indignação diante do brutal assassinato. Assinada pela presidente nacional, Rita Cortez, o IAB afirma que “as autoridades e os agentes públicos precisam apurar e punir com extremo rigor o ocorrido”. A nota diz, ainda, que “a sociedade brasileira necessita, de forma urgente, reagir às brutalidades sociais que nos envergonham diante do mundo”.


Leia a nota na íntegra:


O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), instituição jurídica que nos seus 178 anos de existência sempre defendeu as liberdades, a paz e o respeito à dignidade da pessoa humana, não pode deixar de expressar sua indignação em face do brutal episódio ocorrido com o jovem cidadão africano, o congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, violentamente agredido até a morte no Rio de Janeiro, em razão da cobrança de uma dívida decorrente do trabalho prestado.


Inevitável dizer que os descaminhos do Brasil em matéria de direitos humanos e o aprofundamento da segregação social estão nos conduzindo a um Estado incivilizado, bestial e inumano, que dificilmente conseguiremos reverter com rapidez.


Ao sentimento de repulsa que se soma às manifestações de inúmeras instituições e entidades civis, o IAB, como entidade formadora do pensamento jurídico ancorado no estado democrático de direito, está profundamente preocupado com a perversidade econômica, social e política que nos fazem regredir à barbárie.


O episódio se insere em uma sequência de atitudes generalizadas de intolerância, principalmente, racistas; de desvalorização do trabalho, e de inexistência de políticas públicas que amparem migrantes e refugiados no Brasil, que não podem e não devem ser banalizadas.


As autoridades e os agentes públicos precisam apurar e punir com extremo rigor o ocorrido. E a sociedade brasileira necessita, de forma urgente, reagir às brutalidades sociais que nos envergonham diante do mundo.


Rio de Janeiro, 2 de fevereiro de 2022.


RITA CORTEZ

Presidente nacional do IAB

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