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ABI e outras entidades repudiam retirada da imprensa e agressões na Câmara

  • 10 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Deputado Glauber foi retirado à força pela Polícia Legislativa a mando de Hugo Motta (Reprodução/TV Globo)
Deputado Glauber foi retirado à força pela Polícia Legislativa a mando de Hugo Motta (Reprodução/TV Globo)

Entidades de defesa de jornalistas e associações de veículos de comunicação divulgaram notas de repúdio ao episódio de retirada e agressão a profissionais da imprensa na Câmara dos Deputados, na tarde desta terça-feira (9).


Na ocasião, o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidência da Casa em protesto após o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos -PB), anunciar que levaria ao plenário o pedido de cassação do deputado. O parlamentar foi retirado à força por agentes da Polícia Legislativa Federal. Ele criticou Motta citando a ocupação feita por parlamentares da extrema direita em agosto, quando não houve a retirada forçada.


Neste momento, em decisão inédita - atribuída a Hugo Motta -, o sinal da TV Câmara, que transmitia ao vivo a sessão em plenário, foi imediatamente cortado e jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e assessores de imprensa foram retirados pela Polícia Legislativa do Plenário da Câmara


Em nota, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) repudiou a agressão a jornalistas e parlamentares e o desligamento do sinal da TV Câmara (veja a íntegra da nota ao final da matéria).


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) consideraram “extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira”. As entidades citam ainda graves episódios de agressões físicas a profissionais da imprensa e cobram explicações do presidente da Casa.


“Não podemos admitir que medidas autoritárias, que remontam às vividas em um período não tão distante durante a ditadura militar, sejam naturalizadas e se repitam em nosso Congresso Nacional - que deveria ser a Casa do povo e não de quem ataca os direitos da população. Seguimos atentos e acompanhando os desdobramentos desse lamentável e absurdo episódio”, criticaram.


Em outra manifestação conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) também condenaram o cerceamento do trabalho da imprensa.


"O impedimento do trabalho de jornalistas e o corte de sinal da TV Câmara são incompatíveis com o exercício da liberdade de imprensa", diz a nota. As entidades cobraram "apuração de responsabilidades para que tais práticas de intimidação não se repitam e que sejam preservados os princípios da Constituição Brasileira, que veda explicitamente a censura".


Imagens e relatos mostram ação truculenta de policiais legislativos contra repórteres, cinegrafistas e fotógrafos que tentavam realizar seu trabalho. Alguns profissionais precisaram de atendimento médico por conta de agressões, que incluíram puxões, cotoveladas e fortes empurrões.


O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) também criticou o episódio.


“De acordo com notícias veiculadas nos principais portais noticiosos, a TV Câmara teve seu sinal cortado às 17h34, mesmo horário em que os jornalistas começaram a ser retirados do plenário. As imagens da brutalidade, no entanto, foram registradas por outros parlamentares e outras pessoas que permaneceram no plenário e logo ganharam os principais portais noticiosos”, disse.


Hugo Motta

Em nota no X, o presidente Hugo Motta informou que determinou a "apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa".


"Temos que proteger a democracia do grito, do gesto autoritário, da intimidação travestida de ato político. Extremismos testam a democracia todos os dias. E todos os dias a democracia precisa ser defendida. Determinei também a apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa", afirmou.


Entenda o caso

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a cadeira da presidência da Câmara dos Deputados, no plenário da Casa, na tarde desta terça-feira (9), e foi arrancado à força por agentes da Polícia Legislativa Federal.


A ocupação começou como protesto do parlamentar, após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciar que levaria ao plenário o pedido de cassação do deputado, juntamente com os processos de Carla Zambelli (PL-SP) e Delegado Ramagem (PL-RJ), os dois últimos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Os casos não tem relação entre si.


Além disso, Motta também pautou a votação do projeto para reduzir as penas dos envolvidos na trama golpista.


"Que me arranquem desta cadeira e me tirem do plenário", disse o deputado.


Braga pode perder o mandato por ter agredido, com um chute, um militante do Movimento Brasil Livre (MBL), no ano passado, após ser provocado.


Veja a íntegra da nota da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), divulgada nessa terça-feira (9).


"A Câmara dos Deputados viveu, nessa terça-feira (9), cenas nunca vistas, nem nos piores tempos da ditadura militar.


Por determinação do presidente Hugo Motta, a Polícia Legislativa retirou com violência da Mesa da Câmara, o deputado Glauber Braga, que protestava contra a cassação de seu mandato. Mais grave do que isso, desligou o sinal da TV Câmara e expulsou, também com violência, os jornalistas do plenário.


A Associação Brasileira de Imprensa, que nos seus 117 anos de existência sempre lutou em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e dos direitos humanos, repudia com veemência o cerceamento ao trabalho da imprensa, num atentado à liberdade de imprensa e ao direito de informação da população brasileira, bem como as agressões físicas a profissionais da imprensa e a parlamentares.


Mais do que isso, exige explicações do presidente da Câmara, Hugo Motta, e a sua responsabilização direta pelas agressões aos jornalistas, parlamentares e servidores, pelo desligamento do sinal da TV Câmara e pelo cerceamento do trabalho desses profissionais.


Com essas atitudes violentas e autoritárias, Hugo Motta perde todas as condições políticas de continuar presidindo a Câmara dos Deputados.


Esse foi o mais grave atentado à liberdade de imprensa, exatamente na Casa que deveria ser a defensora da democracia.


A ABI também se solidariza com os profissionais agredidos, bem como com os parlamentares, especialmente o deputado Glauber Braga, e servidores."


Com a Agência Brasil

 
 
 

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