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ABI emite nota repudiando ato criminoso e racista de Zambelli

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), entidade que é símbolo das lutas em defesa do Estado Democrático de Direito e da liberdade de expressão, emitiu neste domingo (30/10) uma nota de repúdio à atitude criminosa da deputada fascista Carla Zambelli (PL) contra o jornalista Luan Araújo, na tarde deste sábado (29/10), véspera do segundo turno das eleições, no bairro de Jardins, em São Paulo.

Reprodução

Zambelli e seu segurança perseguiram o jornalista negro com armas em punho por vias públicas, descumprindo a resolução do TSE que proíbe porte de armas de fogo no período do pleito, e chegaram a atirar, colocando em risco a vida de Luan e de pedestres que passavam no momento. A deputada ainda mentiu, dizendo que havia sido empurrada por Luan, ou por alguém que estava com ele. Ela afirmou que agiu em legítima defesa, após a agressão de "um homem negro" e "militante de Lula".


Mas um vídeo gravado na hora da discussão que antecedeu o ato criminoso de Zambelli, mostrou que ela caiu sozinha, depois de tropeçar. A bolsonarista também desqualificou a decisão do Ministro Alexandre Moraes sobre o porte de armas nas eleições.


“A resolução é ilegal, e ordens ilegais não se cumprem. Eu conscientemente estava ignorando a resolução e continuarei ignorando a resolução do senhor Alexandre de Moraes [presidente do TSE], porque ele não é legislador. Ele é simplesmente presidente do TSE e membro do STF. Ele não pode em nenhum momento fazer uma lei. Isso é ativismo judicial”, criticou.


O segurança da deputada, que não teve a identidade oficialmente revelada, foi preso em flagrante por disparo de arma de fogo pela Polícia Civil de São Paulo, na madrugada deste domingo (30/10).


Leia a íntegra da nota da ABI, assinada pelo jornalista Marcos Gomes, presidente da Comissão de Igualdade Étnico-Racial:


“A Comissão de Igualdade Étnico-Racial da Associação Brasileira de Imprensa vem manifestar o seu repúdio ao ato de racismo praticado pela deputada federal Carla Zambelli que, com uma arma na mão, perseguiu o jornalista Luan Araújo, no bairro dos Jardins, região mais rica de São Paulo.


O enfrentamento ao genocídio da população negra praticada pelo braço armado do Estado é a prioridade máxima do trabalho que desenvolvemos na Comissão de Igualdade Étnico-Racial da ABI. Os crimes da deputada Carla Zambelli não podem ficar impunes, eles vão desde racismo – “usaram um homem negro pra vir pra cima de mim” -, passando pelo porte ilegal de arma, 24 horas antes da eleição, formação de quadrilha, entre outras violências.


Não é difícil constatar que se fosse um homem preto apontando uma arma para uma pessoa branca, a essa hora, o homem preto estaria morto.


O que a deputada Carla Zambelli fez não é uma simples coincidência.


Aqui estão alguns exemplos: João Pedro, de 14 anos, foi morto com um tiro de fuzil na barriga, dentro de casa, durante uma operação das polícias Civil e Federal, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no dia 18 de maio de 2020. Durval Teófilo Filho, foi assassinado pelo sargento da Marinha, Aurelio Alves Bezerra, no ultimo dia 2 de fevereiro, ao entrar no condomínio onde morava em São Gonçalo, supostamente ao ser confundido com um ladrão. Oitenta e um tiros disparados por uma patrulha do Exército mataram no Rio, em abril de 2019, o músico Evaldo Rosa dos Santos e o catador de papel reciclável Luciano Macedo.


Para aqueles jornalistas e comentaristas que insistem em não reconhecer o que a deputada Carla Zambelli praticou está tipificado como racismo, estamos preparando um curso de letramento para que possam estar melhor preparados, na hora de sustentar os seus argumentos, despidos de quaisquer preconceitos".


Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2022

Comissão de Igualdade Étnico-Racial

Associação Brasileira de Imprensa

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