ABI se espanta com troca de nome do Maracanã e pede veto


Maracanã em obra para a Copa do Mundo de 2014 (Fotos Públicas)

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) se diz espantada e entrou em campo no polêmico projeto aprovado pela Assembleia Legislativa do Rio que muda o nome do Maracanã (Estádio Mário Filho) para Estádio Rei Pelé. Em carta endereçada ao governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nesta quinta-feira (11), a ABI pede que o projeto seja vetado e mantido o nome do jornalista Mário Filho. O mesmo fez a Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro (Acerj), que destacou o papel de Mario Filho "na popularização da cobertura jornalística do futebol trocando os termos rebuscados da época por expressões mais populares e o Maracanã muito contribuiu para isto".

Citando o reconhecimento do "mérito de todas as homenagens ao genial Pelé" e "independente de questionamento jurídico quanto à legalidade de homenagear pessoas vivas", a ABI ressalta que é preciso relembrar o importante papel desempenhado pelo jornalista Mário Filho para a construção do estádio e todo o simbolismo que o envolve.

"Não nos move um mero espírito corporativo, embora tenhamos que reconhecer a importância indiscutível de Mário Filho para o jornalismo esportivo, no Brasil", diz um trecho da carta, que recorda também seu papel de escritor e autor de obras como "O Negro no Futebol Brasileiro", "Histórias do Flamengo" e "Viagem em torno de Pelé".

O autor do projeto, que aprovou a mudança de nome para "Estádio Edson Arantes do Nascimento - Rei Pelé", é o deputado estadual André Ceciliano (PT), que defende a "homenagem em vida", embora Pelé não tenha sido consultado, e argumenta que "o Maracanã será sempre o Maracanã, por ser o bairro onde foi construído".

O projeto tem recebido muitas críticas. O principal questionamento tem sido "para quê a troca?", uma vez que o estádio é conhecido no Brasil e no mundo como Maracanã e o "Estádio Rei Pelé" já existe, em Maceió.


Leia as carta da ABI e da Acerj na íntegra:

"Ao

Exmo. Sr. Cláudio Castro

Governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro

Senhor Governador,

Com espanto, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) tomou conhecimento da aprovação, pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, de um projeto de lei modificando o nome do Estádio do Maracanã, de Jornalista Mário Filho para Édson Arantes do Nascimento - Rei Pelé.

Ao mesmo tempo em que a ABI reconhece o mérito de todas as homenagens ao genial Pelé, que encantou o mundo inteiro com a sua arte, é preciso relembrar o importante papel desempenhado pelo jornalista Mário Filho, que recebeu o apelido de “criador das multidões”, para viabilizar a construção e criar todo o simbolismo que, há muitos anos, envolve este Estádio, inclusive internacionalmente.

Ao pedir a V.Exª. o veto a este projeto de lei, não nos move um mero espírito corporativo, embora tenhamos que reconhecer a importância indiscutível de Mário Filho para o jornalismo esportivo, no Brasil, bem como sua relevante atuação como escritor com obra precursora do debate atual, com o “O Negro no Futebol Brasileiro”, além de “Histórias do Flamengo” e “Viagem em torno de Pelé”, uma homenagem ao Rei do Futebol, ainda em 1964.

Para a ABI, independente de questionamento jurídico quanto à legalidade de homenagear pessoas vivas, o que importa, neste momento, é não permitir mais uma mutilação no Estádio do Maracanã, com a retirada do nome do Jornalista Mário Filho.

Certos do atendimento de V.Exª. a este pedido de veto ao projeto de lei,

Paulo Jeronimo

Presidente da ABI"


A carta da ACERJ, que é presidida pelo jornalista e radialista Eraldo Leite.

"Excelentíssimo Governador Cláudio Castro,

Foi com absoluta surpresa que a ACERJ – Associação de Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro – Entidade centenária e atuante no cenário esportivo do Rio de Janeiro desde 1917 recebeu a notícia de que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro decidiu de modo inexplicavelmente urgente trocar o nome do Estádio Mário Filho para “Estádio Edson Arantes do Nascimento – Pelé”. Com que propósito? Com quais argumentos?

Sabemos todos – cronistas esportivos e torcedores em geral – que Pelé é o maior jogador de futebol do mundo em todos os tempos e que jamais haverá outro igual. Ao Rei Pelé todas as homenagens devem ser prestadas, menos essa, que surrupia o nome de quem idealizou a construção do maior estádio do mundo no bairro do Maracanã, que foi o jornalista Mário Filho.Um pouco de história, senhor Governador: a construção do estádio foi muito criticada por Carlos Lacerda, na época deputado federal e inimigo político do então General de Divisão e Prefeito do Distrito Federal do Rio de Janeiro, Marechal Ângelo Mendes de Moraes, pelos gastos e, também, devido à localização escolhida para o estádio, defendendo que fosse construído em Jacarepaguá.

Depois de muitos debates a respeito de onde ele seria construído, decidiu-se que deveria ficar num local de acesso fácil por vários meios de transporte. Desta forma, o local escolhido pertencia ao Derby Club, onde eram realizadas corridas de Turfe até a década de 1920, quando perdeu espaço para o Hipódromo da Gávea. Para que isto ocorresse, foi realizada uma campanha pelo Jornal dos Sports, com a assinatura de Mário Filho. Muitas capas do JS foram feitas pedindo que o Maracanã deveria ser o local para o maior do mundo, futura sede da Copa de 1950.

Mário Filho defendeu um estádio que pudesse ser popular, fosse parte da cidade, com melhor localização, contando com os espaços para o trabalho da imprensa, por isso também pediu uma tribuna de imprensa e vinte cabines de transmissão, com o apoio de Célio de Barros, então presidente de nossa associação de classe (ACD, à época). Tanto que o estádio de atletismo depois passou a se chamar Célio de Barros.

Mário Filho foi um profissional importante para a identidade do Rio de Janeiro, criou aqui o primeiro jornal brasileiro dedicado apenas ao esporte. Colaborou para a popularização da cobertura jornalística do futebol trocando os termos rebuscados da época por expressões mais populares e o Maracanã muito contribuiu para isto. Foi Mario Filho quem cunhou a expressão Fla-Flu, um dos mais destacados clássicos jogados no estádio."

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