ADPF: demissão de delegados federais é 'preocupante'


(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Segundo diretor da Associação Nacional de Delegados da PF (ADPF), casos de remoção de delegados durante governo Bolsonaro é "preocupante" e têm deixado os delegados "extremamente indignados e insatisfeitos". Na semana passada, delegada que atuou no processo de extradição do blogueiro bolsonarista Allan Santos foi a terceira a perder o cargo.

Somente neste ano, a Polícia Federal passou por oito exonerações, uma média de uma por mês desde que o atual diretor-geral, Paulo Maiurino, foi nomeado para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagem do Estadão, com a demissão da delegada Dominique de Castro Oliveira, exonerada do escritório da Interpol, já são pelo menos 20 os desligamentos de delegados em cargos de chefia por divergências políticas com o Planalto. Dominique foi a responsável pela ordem de prisão no exterior de Allan dos Santos no dia 1º de dezembro.

Segundo delegados ouvidos pelo jornal, esse tipo de ingerência não tem precedentes, e continuam mesmo após a abertura da investigação que apura suspeitas de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. 

Dominique compartilhou uma mensagem com seus colegas após perder o cargo na Interpol.

“Fiz algum comentário que contrariou. Qual foi, quando, para quem, em que contexto e ambiente, não sei... Há uma forte sensação de revolta e de estar sendo injustiçada.”

Segundo Edvandir de Paiva, diretor da ADPF, os episódios de remoção de delegados da PF têm se repetido de forma "preocupante", e o mesmo defende aprovação de leis que protejam "a autonomia da Polícia Federal".

"Esses fatos estão ficando mais recorrentes e incomodam demais. Os delegados estão extremamente indignados e insatisfeitos com toda essa situação. A única solução para resolver isso é a aprovação de leis que protejam a autonomia da PF", afirmou Paiva, citado pelo Globo.

Após reclamar nos dois primeiros anos de governo de não conseguir influir nas nomeações de cargos de direção na Polícia Federal, Bolsonaro tem conseguido consolidar trocas em postos-chave, de acordo com o jornal. Em alguns casos, as mudanças têm como alvo delegados cuja conduta profissional desagradou ao governo.

Em outubro, o então superintendente da PF no Distrito Federal, Hugo Correia, também foi exonerado do cargo, causando surpresa, já que havia sido nomeado somente cinco meses antes. A superintendência de Correia conduzia o inquérito envolvendo Renan Bolsonaro, filho do presidente.

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