Advogado do clã Bolsonaro é investigado pelo MPF do Rio


Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro (Reprodução)

O Ministério Público Federal do Rio de Janero (MPF-RJ) investiga o escritório de advocacia Wassef & Sonnenburg Sociedade de Advogados e o próprio advogado do clã Bolsonaro, Frederick Wassef, por suspeita de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações foram iniciadas há um mês a partir de informações de um relatório do Coaf (Conselho do Controle de Atividades Financeiras) encaminhadas pelo jornal O Globo ao MPF-RJ e à Polícia Federal.

O escritório de Frederick Wassef, segundo o documento, recebeu mais de R$ 20 milhões no período de 2015 a 2020, sendo um depósito de R$ 9 milhões da JBS, conforme revelação na semana passada pela revista Crusoé.

O relatório aponta ainda que a conta do escritório foi abastecida em R$ 2,1 milhões pela Computsoftware Informática, empresa que vendeu uma Land Rover para o presidente Jair Bolsonaro em 2015.

A Computsoftware Informática pertenceu a Maria Cristina Boner Leo até pouco tempo atrás. Maria Cristina é uma das sócias, juntamente com Bruna Boner Leo Silva - ambas são investigadas -, da empresa Globalweb, holding que possui contratos com o governo federal e teve uma multa de R$ 27 milhões, aplicada em 2014, suspensa pelo governo em 15 de março do ano passado. Segundo o portal Uol, a holding obteve novos contratos em um total de R$ 53 milhões durante o governo de Jair Bolsonaro. Também sob Bolsonaro, a empresa obteve dois aditivos em um contrato questionado pela Controladoria-Geral da União no valor de R$ 37,4 milhões.

De acordo com revelação do Globo, o advogado Frederick Wassef, que começou a atuar na representação da família Bolsonaro no final de 2018, recebeu R$ 2,3 milhões de Bruna Boner Leo Silva, entre dezembro de 2018 e maio de 2020. Bruna é filha de Maria Cristina, ex-mulher de Wassef. Wassef é o proprietário do sítio, em Atibaia, interior de São Paulo, onde Fabrício Queiroz foi localizado ao ser preso pela polícia em 18 de junho. Queiroz, juntamente com a mulher, Márcia Aguiar, e o senador Flávio Bolsonaro, responde a processo no caso das rachadinhas, por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações em curso no MPF-RJ não têm ligação com o caso da rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

R$ 276 mil para outro advogado de Bolsonaro

Dados do relatório do Coaf indicam também um pagamento no valor de R$ 276 mil por parte do ex-advogado da família Bolsonaro, Wassef, ao também advogado Arnaldo Faivro Busato Filho, que defendeu Jair Bolsonaro em 2017 em ações penais por apologia ao estupro e injúria, movidas com base em declarações feitas por ele contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).

O relatório mostra que a verba foi enviada entre 2015 e 2020, sem especificar a data. Busato disse não ter cobrado honorários pelos serviços prestados ao então deputado federal Jair Bolsonaro e afirmou que o valor se trata de pagamentos referentes a atuação em um inquérito no qual trabalhava ao lado de Wassef em tramitação no Maranhão.


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