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Amazônia: Estudo identifica árvores que mais estocam carbono

Dados confiáveis sobre estoques, emissões e sequestro do CO2 da atmosfera são indispensáveis para que o Brasil possa planejar ações para mitigar as mudanças climáticas. Com o objetivo de quantificar o estoque de carbono em uma área protegida na Amazônia no sudeste do Pará, o Instituto Tecnológico Vale (ITV) realizou um estudo inédito para identificar árvores que podem armazenar uma quantidade considerável de dióxido de carbono (CO2). O CO2 é um composto químico gasoso que tem um papel significativo no efeito estufa.

Árvore de Erisma uncinatum (cinzeiro), com detalhes dos ramos no topo da copa / Divulgação / Vale

As árvores podem ajudar a combater as mudanças climáticas, desde que sejam preservadas e mantidas em pé. A Floresta Nacional de Carajás possui uma área equivalente a cinco vezes a cidade de São Paulo e estoca 490 milhões de toneladas de carbono equivalente.​

Árvore de Erisma uncinatum (cinzeiro), com detalhes dos ramos no topo da copa.


A espécie que apresentou o maior estoque de carbono é a Erisma uncinatum Warm, conhecida por cinzeiro. Quatorze indivíduos identificados na área inventariada totalizaram 43 toneladas de carbono (t-C). A manutenção de uma única árvore de cinzeiro corresponde ao armazenamento de 58 toneladas de CO2 eq, ou aproximadamente a queima de 25 mil litros de gasolina.


Em seguida aparecem as espécies Marlimorimia psilostachya, timborana, e a Bertholletia excelsa Bonpl, popularmente conhecida como castanheira, com cerca de 27 t-C e 17 t-C. A castanheira é uma espécie avaliada segundo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e incluída na categoria de ameaça “vulnerável”; também está listada na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente.


As árvores absorvem da atmosfera o CO2, principal gás causador do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global, e o armazenam em seus troncos, seus galhos e suas folhas. As florestas desempenham, assim, um papel de reservatórios de carbono.


“As grandes árvores são parte essencial do ecossistema florestal. Além de armazenam enormes quantidades de carbono, fornecem importantes habitats para os animais e para as árvores abaixo da sua copa, devido ao sombreamento e pela queda de matéria orgânica. Elas levam décadas ou séculos para atingir seu tamanho máximo, tornando os ecossistemas das florestas primárias e secundárias maduras únicos. Entretanto, estão se tornando cada vez mais raras devido ao desmatamento e à degradação florestal. Por isso, é essencial a manutenção da floresta em pé para mitigar as mudanças climáticas”, destaca a pesquisadora do ITV, Tereza Cristina Giannini.

Árvore de Bertholletia excelsa (castanheira) com fruto e sementes / Divulgação / Vale

Foram medidas árvores, bambus, trepadeiras e palmeiras presentes com circunferência igual ou maior que 10 cm. O diâmetro mínimo utilizado e a identificação de espécies por taxonomistas são um diferencial deste trabalho, permitindo uma melhor análise por espécie. O estoque de carbono foi inicialmente estimado para a biomassa viva acima do solo (tronco e copa) das espécies florestais.


A escolha das equações para estimar a biomassa a partir dos dados de altura e diâmetro foram feitas considerando o tipo da vegetação identificada em campo. O estoque de carbono médio na parte aérea da vegetação foi de 173 toneladas de carbono por hectare (t-C/há). Para a floresta ombrófila aberta, o carbono estocado nas raízes, serapilheira e madeira morta corresponde a cerca de 35%, 5% e 8% do carbono observado na parte aérea da vegetação, respectivamente.


Para Rosane Cavalcante proteger os ecossistemas com alto teor de carbono e biodiversidade é uma parte importante de uma abordagem abrangente para mitigação das mudanças climáticas.


“O estoque de carbono nas parcelas estudadas na Floresta Nacional de Carajás está concentrado nas grandes árvores, mas o sub-bosque, onde vivem as pequenas árvores, é mais biodiverso e, devido ao seu crescimento mais lento, pode ter papel importante para a estabilidade do carbono estocado e para a remoção de carbono. Por isso é necessário balancear o esforço amostral, considerando tanto a importância dos indivíduos para fins de estimativa de carbono como seu papel para a biodiversidade da floresta”, disse.


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