Anvisa libera CoronaVac para crianças acima de 6 anos


(Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quinta-feira (20) a aplicação do imunizante CoronaVac em crianças e adolescentes com idade entre 6 e 17 anos - exceto em casos de menores imunossuprimidos (com baixa imunidade). A decisão foi tomada durante reunião extraordinária da diretoria colegiada, que considera o imunizante seguro e eficaz para a população infantil nessa faixa etária.

Crianças e adolescentes com comorbidades também poderão receber a vacina, que será aplicada em duas doses, com intervalo de 28 dias. A vacina é a mesma utilizada atualmente na imunização de adultos, sem nenhum tipo de adaptação para uma versão pediátrica.

A decisão foi unânime. Ao todo, cinco diretores votaram a favor da liberação: Meiruze Sousa Freitas, Alex Machado Campos, Rômison Rodrigues Mota, Cristiane Rose Jourdan e o próprio diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres.

A inclusão da CoronaVac no Plano Nacional de Imunizações (PNI) depende agora de uma decisão do Ministério da Saúde. A expectativa é que o imunizante volte a acelerar a vacinação infantil em todo o país. No Rio, por exemplo, a prefeitura disse que paralisou a aplicação do imunizante Pfizer em crianças de 10 anos até que receba nova remessa de doses.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem se manifestado contra a vacinação de crianças e já criticou por questão ideológica diretamente a CoronaVac, que é produzida pela farmacêutica Sinovac, da China.

Recado a Bolsonaro

Durante a votação nesta quinta-feira, o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, deu uma indireta ao mandatário. Barra Torres afirmou que “é criminoso difundir fake news” sobre a pandemia da covid-19. Embora não tenha citado nomes, ele rebateu uma declaração recente de Bolsonaro de que a variante ômicron é “bem-vinda” ao Brasil.

“Impressionante ver que, em meio a um cenário que aponta claramente para os efeitos do avanço da variante ômicron, ainda há pessoas que dizem que a pandemia está acabando, que a chegada da variante sinaliza um tempo melhor, sinaliza o fim de uma pandemia já a olhos vistos. Os números não mostram isso”, afirmou Barra Torres, que é almirante reformado da Marinha do Brasil, e ainda continuou: “É criminoso buscar, difundir mentiras através das novidades mentirosas, do inglês ‘fake news’. Isso não é razoável. Não é razoável levar esse tipo de informação a inúmeras pessoas que por vezes não têm acesso ou não têm tempo para acessar os canais de informação que estão na luta pela vida, pela sobrevivência.”

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