Anísio Teixeira: um tributo ao mestre dos mestres
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Por José Messias Xavier
Anísio Teixeira é o mestre dos mestres no enredo da educação brasileira. Em um país onde ignorância, intolerância e corrupção vestem a fantasia das políticas públicas para submeter o povo à tutela de um Estado a serviço de uma elite repugnante, é incrível que o pensamento de um intelectual de seu porte ainda desfile entre nós. E, se isso acontece, é graças a iniciativas de educadores comprometidos, como ele, com a transformação social, a disseminação do conhecimento e a consolidação de uma escola pública laica, obrigatória e gratuita, dedicada ao desenvolvimento humano e à democracia.

Nesta segunda-feira (23/2), às 18h, na livraria Blooks, na Praia de Botafogo, 316, teremos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre alguns desses pensadores e sobre a obra do jurista, intelectual, educador e escritor baiano. É quando será lançado o quarto título da Coleção Diálogos com Pensadores da Educação Brasileira, intitulado “Educação e democracia em Anísio Teixeira”, uma coedição da Nitpress com a Intertexto, organizada por Waldeck Carneiro, doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Sorbonne/França e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF).
O livro traz artigos do próprio Waldeck, de Luiz Antonio Botelho Andrade, Edson Pereira da Silva, Lia Faria, Alexsandra Aguiar, Libania Nacif Xavier, Lincoln de Araújo Santos, Silvana Malheiro Gama, Pablo Silva Machado Bispo dos Santos, Sandra Kely Machado Bastos Santana, Eric Plaisance, Ligiane Pereira de Medeiros, Valdelúcia Alves da Costa, Tatiane Rezende Nunes de Souza, Viviane Merlim Moraes, Silvia Monteiro dos Santos, Iduína Mont’Alverne Chaves, Márcio Mori e Flávia Araujo.
O prefácio é de Luiz Antônio Cunha e o posfácio, de Nilda Alves, com depoimento de Clarice Nunes.
“Neste quarto volume da Coleção Diálogos com Pensadores da Educação Brasileira , temos Anísio Teixeira na sua tríplice dimensão de pensador, gestor e estadista da Educação. O livro conta com valorosas contribuições, que colocam Anísio em diálogo com outros autores, como Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Edgar Morin, John Dewey, Maria Yedda Linhares, Pierre Bourdieu e Theodor Adorno, apenas para citar alguns. A obra é uma relevante contribuição ao debate sobre as relações entre educação, escola e democracia, bem como sobre a educação integral em tempo integral, tema em que Anísio foi pioneiro e se tornou uma referência, com a marcante experiência da Escola Parque na Bahia. Aliás, Anísio é a principal inspiração para o projeto dos CIEPs no Rio de Janeiro. A Coleção conta com um Conselho Editorial de altíssimo nível”, explica Waldeck Carneiro.

A obra sobre Anísio Teixeira chega, pois, em um momento decisivo para a escola pública brasileira, assediada por interesses de grupos políticos, econômicos e religiosos. Signatário do "Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova", de 1932, junto com outros 25 intelectuais, entre eles Roquette Pinto e Cecília Meireles, ele fundou a Universidade do Distrito Federal, em 1935, transformada em Faculdade Nacional de Filosofia da UFRJ.
Anísio nasceu em Caetité (BA), em 12 de julho de 1900. Perseguido pela ditadura militar por sua defesa intransigente da democracia e da educação pública igualitária, seu corpo foi encontrado no fosso de um elevador de um prédio na Praia de Botafogo, no Rio, em 14 de março de 1971, após três dias de buscas. A versão oficial lavrou como causa mortis ferimentos provocados em uma queda por acidente. No entanto, em depoimento na UnB, em 10 de agosto de 2012, o professor João Augusto de Lima Rocha declarou:
"Em dezembro de 1988, Luiz Viana Filho me confessou que Anísio Teixeira foi preso no dia que desapareceu (11 de março de 1971) e levado para o quartel da Aeronáutica, em uma operação que teve como mentor o brigadeiro João Paulo Burnier, figura conhecida do regime militar e que tinha o plano de matar todos os intelectuais mais importantes do Brasil na época", disse ele.
Em 15 de Outubro de 2024, o educador Anísio Teixeira foi declarado Patrono da Escola Pública Brasileira, através da Lei Federal nº 15.000.










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