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Após recorde de mortes, Bolsonaro diz não a lockdowns


Presidente Jair Bolsonaro usando máscara (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Falando mais uma vez para o seu público, o presidente Jair Bolsonaro voltou afirmar nesta quarta-feira (7) que não haverá um lockdown no Brasil para conter a pandemia de Covid-19.

A afirmação de Bolsonaro acontece um dia depois de o país alcançar mais um recorde no número diário de mortes causadas pela Covid-19: foram 4.195 óbitos registrados em 24 horas.

"Vamos buscar alternativas, não vamos aceitar a política do 'fique em casa, feche tudo', lockdown. O vírus não vai embora. Esse vírus, como outros, vieram pra ficar, e vão ficar a vida toda. É praticamente impossível erradicá-lo", disse o presidente, contrariando a Ciência, que indica a quarentena como única forma de conter o coronavírus para evitar que mais pessoas morram em decorrência da doença.

A declaração de Bolsonaro foi feita em Chapecó (SC), onde o presidente visitou o Centro Avançado de Atendimento Covid-19.

Elogiada por Bolsonaro como exemplo no combate à pandemia, Chapecó tem mortalidade pela Covid-19 maior que a média nacional e precisou transferir pacientes para o Espírito Santo. O município incentivou o chamado "tratamento precoce" contra a Covid-19 – com medicamentos que não têm qualquer eficácia comprovada, sendo condenado pelas mais importantes organizações de saúde do munto, e mais recentemente pela Associação Médica Brasileira, ao afirmar que remédios como cloroquina e ivermectina deveriam ter seu uso contra a Covid banido.

"Exemplo a ser seguido, por isso estou indo para lá. Para exatamente não só ver, mas mostrar a todo o Brasil que o vírus é grave, mas seus efeitos têm como ser combatidos. Mais ainda, naquele município, com toda certeza em mais [cidades], em alguns estados também, o médico tem a liberdade total para trabalhar com o paciente, total. Esse é dever do médico, uma obrigação e direito dele. Não tem um remédio específico, ele trata da melhor maneira possível. Por isso, os índices foram lá para baixo", disse o presidente, contrariando os fatos.

Fauci: Brasil deve considerar seriamente lockdowns

Principal epidemiologista norte-americano à frente do combate contra a Covid-19 nos EUA, Anthony Fauci mandou um recado ao Brasil por meio de uma entrevista a um canal de televisão.

Principal conselheiro da força-tarefa da Casa Branca no combate à pandemia, Anthony Fauci afirmou em entrevista à BBC Brasil na noite de terça-feira (6) que "todos reconhecem que há uma situação muito grave no Brasil". Por isso, o país deve considerar fazer lockdowns e quarentenas rigorosas.

"Não há dúvida de que medidas severas de saúde pública, incluindo lockdowns, têm se mostrado muito bem-sucedidas em diminuir a expansão dos casos. Então, essa é uma das coisas que o Brasil deveria pensar e considerar seriamente, dado o período tão difícil que está passando", disse Fauci.

O especialista ainda disse que o presidente Jair Bolsonaro não é responsável pelas mortes no país, mas afirmou que "negar a gravidade do problema nunca ajuda. Na verdade, muitas vezes piora a situação".

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