Após silêncio, Aras publica vídeo em que defende urnas


O procurador-geral da República, Augusto Aras, com o presidente Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

O procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, divulgou nesta quinta-feira (21) um vídeo em seu canal no YouTube no qual destaca afirmações feitas, há mais de uma semana, sobre sua confiança no sistema eleitoral brasileiro.

"Nós aqui não aceitamos alegação de fraude porque nós temos visto o sucesso da urna eletrônica ao longo dos anos, especialmente no que toca à lisura dos pleitos", diz Aras.

O vídeo é uma resposta a cobranças feitas sobre o posicionamento de Aras em relação à reunião convocada pelo presidente da República Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada na segunda-feira (18), na qual mentiu e fez uma série de ataques às urnas eletrônicas, disseminando dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro - uma repetição do que vem fazendo desde que as pesquisas de intenção de voto começaram a apontar o ex-presidente Lula em vantagem na liderança da corrida presidencial. Os ataques foram dirigidos também a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O encontro teve repercussão internacional, e a embaixada dos EUA divulgou um comunicado afirmando que considera as eleições do Brasil um "modelo". Após o encontro, mais de 40 procuradores regionais assinaram um pedido para que o PGR abra uma investigação sobre os ataques sem provas de Bolsonaro ao sistema eleitoral.

Em sua única manifestação sobre a conduta do presidente, Aras inicia a postagem dizendo: "Diante dos últimos acontecimentos no país, o procurador-geral da República, Augusto Aras, recorda a necessidade de distanciamento e harmonia entre os Poderes. E que as instituições existem para intermediar e conciliar os sagrados interesses do povo, reduzindo a complexidade das relações entre governantes e governados."

Ele prossegue afirmando que "no atual contexto, o procurador-geral da República considera oportuno apresentar, nos próximos 5 minutos, um resumo da conversa que teve com representantes da imprensa estrangeira, com temas de interesse da população". A mensagem não cita Bolsonaro, nem se posiciona sobre o encontro com embaixadores.

Em seguida, são reproduzidos trechos da entrevista a correspondentes estrangeiros, ocorrida no dia 11 deste mês, no qual Aras diz não acreditar em um "6 de janeiro no Brasil [em referência à invasão do Capitólio promovida por apoiadores de Donald Trump e insuflados por ele], e que quem ganhar a eleição vai tomar posse, sem maior turbulência".

Na última terça-feira, um grupo de dez deputados de oposição pediu ao STF que Bolsonaro seja investigado em razão dos ataques às urnas e à Justiça Eleitoral. Os parlamentares pedem para enquadrar Bolsonaro no crime de "abolição violenta do Estado Democrático de Direito", alegando que houve "a prática de um dos chamados crimes de lesa-pátria ou de traição contra seu povo".

Nos próximos dias, Aras deverá receber a ação aberta no STF para se manifestar sobre possível prática de crimes pelo presidente da República.

Em agosto do ano passado, um grupo de subprocuradores-gerais da República aposentados enviou ao Conselho Superior do Ministério Público Federal um pedido de investigação criminal contra Augusto Aras. Os subprocuradores citam suspeitas de prevaricação na conduta de Aras à frente da PGR, com o objetivo de blindar o presidente Jair Bolsonaro.

300X350px_Negra.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg
728X90px (2).gif