Apagão parcial traz o fantasma do racionamento no país


(Reprodução)

Não bastava a tragédia da pandemia do coronavírus, o Brasil agora sofre uma nova ameaça em meio a uma das maiores secas onde estão localizadas as principais hidrelétricas do país: o apagão de energia elétrica. Um dia depois de o governo federal emitir alerta de emergência hídrica nos cinco estados da região da Bacia do Paraná - Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, -, devido à intensidade da seca, um apagão na manhã desta sexta-feira deixou às escuras o Distrito Federal e algumas regiões do Nordeste.

Segundo a Neoenergia, responsável pela distribuição, a falta de luz foi parcial e durou pouco mais de 20 minutos, das 11h26 às 11h50. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou apenas que a interrupção "aconteceu em algumas localidades do Nordeste".

A possibilidade de apagão nacional, no entanto, ganha grande relevância no momento em que o governo alerta para uma possível crise de energia.

Nesta quinta-feira (27), o CMSE, comitê responsável pelo setor elétrico, se reuniu em caráter extraordinário para avaliar a situação e concluiu que o momento é delicado. O comitê é formado por representantes, além dos Ministérios de Minas e Energia, Agricultura, Infraestrutura e Economia, as agências de energia (Aneel) e de águas (ANA), e é coordenado pela Casa Civil da Presidência da República.

Segundo dados do ONS, o volume de chuva se mantém abaixo do normal. A seca projetada é a pior em 91 anos, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

O governo decidiu criar uma "sala de situação", nome que nesses momentos sempre foi referido como "comitê de crise", para monitorar a situação e adotar medidas para garantir o abastecimento.

Citado pela Folha, o governo teria avaliado que ainda não é momento para medidas de racionalização do consumo, como campanhas de economia de energia, muito menos de falar em racionamento, palavra maldita, especialmente às vésperas de eleição.

A seca já levou a uma alta no custo de energia, devido ao acionamento das termelétricas. A Aneel acionou a "bandeira vermelha" patamar 1 para maio. Isso significa a cobrança de uma taxa adicional mais alta, de R$ 4,169 para cada 100 kWh, ao longo deste mês. A Aneel poderá acionar a bandeira tarifária 2 a qualquer momento, o que resultará em novo aumento na conta de luz.

Citado pelo Globo, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, está conversando também com integrantes do Judiciário e do Congresso para alertar sobre a situação.

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