Após furar teto, Guedes agora quer aumento dos juros


(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Em meio ao caos no mercado financeiro - com a bolsa de valores despencando e o dólar disparando e chegando a estar cotado a R$ 5,71 – após o governo reconhecer que vai furar o teto de gastos em 2022 para cumprir a pauta eleitoreira do novo Bolsa Família de Bolsonaro, o ministro da Economia Paulo Guedes defendeu nesta sexta-feira (22) a aceleração da alta de juros para conter a inflação no país.


Durante entrevista coletiva no ministério, Guedes disse que a área fiscal piorou ao furar o teto e que, por isso, o Banco Central também precisa subir mais a taxa básica de juros (Selic). O último aumento foi no dia 22 de setembro, quando elevou de 5,25% para 6,25%. O índice já é o mais alto desde julho de 2019.


Na quinta-feira, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados estendeu a mão para o governo e aprovou uma nova versão da PEC dos Precatório para que o governo gaste até R$ 83 bilhões a mais no orçamento. Na prática, para poder viabilizar o chamado Auxílio Brasil de R$ 400, já chamado de "Bolsa Eleitoral", uma vez que o benefício só poderá ser garantido durante o ano em que Bolsonaro será candidato à reeleição - e justamente num momento em que a sua popularidade derreteu e jogou seus índices de aprovação ao nível mais baixo desde o seu primeiro dia de mandato.


A PEC ainda será levada ao plenário da Câmara para a aprovação, possivelmente na próxima semana, mas a aprovação na comissão já foi suficiente para provocar toda a turbulência no mercado e também no próprio Ministério da Economia. Em meio à reação do mercado ao estouro do teto, houve uma debandada de quatro secretários do ministério. O próprio Guedes foi visto como "carta fora do baralho" até o meio da tarde desta sexta-feira. Bolsonaro teve que ir ao encontro do ministro para anunciar que ele está "garantido" no cargo.


Ex-ministro de Temer assume Tesouro


O ex-ministro do Planejamento do governo golpista de Michel Temer, Esteves Colnago, foi designado por Guedes para assumir o comando da Secretaria Especial de Tesouro e Orçamento, em declaração conjunta ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Colnago substituirá Bruno Funchal, que pediu exoneração.


Guedes defendeu auxílio emergencial de R$ 200


Para a oposição, Paulo Guedes não faz outra coisa senão se agarrar ao cargo ao defender a proposta de fura teto, unicamente para favorecer a campanha de reeleição de Bolsonaro. O ministro foi defensor ardoroso de um auxílio emergencial de apenas R$ 200 por família no início da pandemia em 2020. Graças ao Congresso Nacional, o valor acabou sendo de R$ 600/R$ 1200 por domicílio. Guedes interrompeu o auxílio emergencial em 31 de dezembro do ano passado, e provocou um atraso de 96 dias para retomá-lo e com um valor pífio, insuficiente para garantir a sobrevivência de uma família pobre.


Guedes já fez muito brasileiro acreditar que o Estado está roubando quem "paga impostos" para entregar a "parasitas", sejam eles funcionários ou trabalhadores de classes menos favorecidas. Guedes já disse que o Estado brasileiro gasta muito para manter pobre na universidade.




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