Aquecimento global acelera derretimento de geleiras no Ártico

Em 2019, o derretimento de glaciares bateu recorde, com a perda de 530 bilhões de toneladas de gelo, resultado das mudanças climáticas. A quantidade de água do degelo elevou o nível do mar em 1,5mm. Na Groenlândia, considerada a maior ilha do mundo, as geleiras estão desparecendo a uma velocidade bem maior que o estimado pelos cientistas.

Groenlândia vista de cima. John Sonntag / NASA

O fenômeno motivou um amplo estudo das demais regiões geladas do Ártico, através de imagens e dados colhidos pelos satélites Grace-FO, dos Estados Unidos e da Alemanha, que possuem sensores capazes de mensurar até o peso das geleiras.


Em julho, uma grande plataforma de gelo — denominada Milne, no norte do Canadá — perdeu uma parte significativa de sua estrutura. Um bloco com cerca de 80 quilômetros quadrados se desprendeu do glaciar original, que antes media 106 quilômetros quadrados. Milne era o maior remanescente intacto de uma geleira gigante que ocupava 8.600 quilômetros quadrados no início do século 20.


Essa semana, a última grande plataforma de gelo que restou na Groenlândia, chamada de 79N (ou Nioghalvfjerdsfjorden), perdeu um bloco com 110 quilômetros quadrados (metade do tamanho da cidade do Recife).


A 79N se estende por uma área de 80 km de comprimento por 20 km de largura. Está localizada na extremidade dianteira da Corrente de Gelo do Nordeste da Groenlândia — um riacho que drena cerca de 15% do degelo do manto interno da ilha — ocupando simultaneamente a terra e o oceano, tendo parte de sua área flutuante.


Derretimento acontece no topo e na base das geleiras. Copernicus Data/ESA/2B

No ano passado, a plataforma sofreu uma grande fratura. Uma das pontas se partiu em dois. O bloco resultante foi batizado de Glaciar Spalte. E foi justamente essa parte que agora se desprendeu totalmente aos pedaços, formando vários icebergs.


Em entrevista à BBC News, a pesquisadora do clima da Universidade Friedrich-Alexander, na Alemanha, Jenny Turton, disse que o calor na região aumentou em 3ºC desde 1980. Os recordes de altas temperaturas no verão ocorreram em 2019 e 2020.


Imagens de satélites da Agência Espacial Norte-americana (NASA) revelaram a formação de pequenos lagos nas partes mais altas dos glaciares, resultado das temperaturas mais quentes. A água líquida destes lagos escorre e abre fendas do topo da geleira até a base, provocando um processo chamado fratura hidráulica, que causa o posterior desprendimento dos blocos de gelo.


Os oceanógrafos, por sua vez, explicam que o aquecimento da água nos oceanos contribui para que o derretimento também ocorra na base flutuante das plataformas, intensificando e acelerando o processo.


Ambientalistas e pesquisadores afirmam que o degelo acelerado causará um aumento maior que o previsto do nível das águas dos oceanos, e muito antes que o esperado, colocando em risco as populações insulares e costeiras em todo o planeta.


* Com informações da BBC News.

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