Aras é confrontado e bate-boca com subprocuradores


Augusto Aras demonstrou irritação com os questionamentos dos subprocuradores e encerrou a reunião bruscamente

O procurador-geral da República, Augusto Aras, foi duramente confrontado na reunião do Conselho Superior do Ministério Público Federal - órgão máximo de discussão e deliberação do MPF, composto por 11 subprocuradores-gerais - nesta sexta-feira, em Brasília.

As declarações do procurador-geral contrárias à Lava-Jato em uma live para advogados provocou protestos dos subprocuradores, que que cobraram do chefe apoio à força tarefa de Curitiba. Aras, porém, reafirmou suas críticas, dizendo ter “provas” contra a Lava-Jato. Ele chegou a identificar nos subprocuradores que o criticavam a origem de fake news das quais se disse vítima.

Visivelmente irritado, ele encerrou a reunião abruptamente, deixando os subprocuradores falando sozinhos na sala virtual (eles participaram remotamente, por videoconferência).

A voz mais contundente durante a reunião foi a do subprocurador Nicolao Dino, irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). Ele leu uma carta aberta, assinada por mais três subprocuradores, onde afirmam que as declarações de Augusto Aras “alimentam suspeitas e dúvidas” sobre o MPF, que se torna com isso “desacreditado, instável e enfraquecido”.

“Não se pode deixar de lamentar o resultado negativo para a Instituição como um todo – expressando, por que não dizer, nossa perplexidade –, principalmente por se tratar de graves afirmações articuladas por seu Chefe, que a representa perante a sociedade e os demais órgãos de Estado", afirmou Nicolao Dino.

As acusações de Aras sobre a existência de uma “caixa-preta” na Lava-Jato também foram rebatidas por Dino:

"Dados relativos a investigações submetidos à cláusula de sigilo só podem ser compartilhados mediante autorização judicial , com devida motivação e se necessário para outra investigações, e que, portanto, a salvaguarda desse sigilo não se confunde com opacidade ou 'caixa-preta'".

Acusando os subprocuradores de promover o “aparelhamento” e o “anarcossindicalismo” no órgão, Aras rebateu com veemência:

"Não me dirigi em um evento acadêmico de forma se não pautado em fatos e provas. Fatos e provas que se encontram sob investigação da corregedora-geral do MPF e do Conselho Nacional do Ministério Público. Caberá a eles apurar a verdade, a extensão, a profundidade e os autores, e os coautores, e os partícipes, de tudo que declarei. Porque me acostumei a falar com provas, e tenho provas, e essas provas já estão depositadas perante os órgãos competentes".

Ele também acusou diretamente Nicolao Dino de estar associado à divulgação de fake news:

"Gostei muito de saber que o colega Nicolao Dino foi o porta-voz, o porta-voz de alguns que fazem oposição sistemática a esse procurador-geral da República, de alguns que vivem a plantar fake news e que eu estou colecionando cada fake news com as respectivas respostas, para que ao final da gestão eu apresente cada fake news e cada resposta. Por isso, doutor Nicolao, rejeito seus conselhos e espero que os órgãos oficiais respondam a Vossa Excelência e aos seus liderados. No mais, fatos e provas estão entregues à Corregedoria do MPF e ao CNMP. Está encerrada a sessão", anunciou bruscamente, retirando-se do encontro.


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