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Argentina tem greve geral em dia de votação da reforma trabalhista de Milei

  • há 55 minutos
  • 2 min de leitura

O presidente argentino, Javier Milei (Getty Images)
O presidente argentino, Javier Milei (Getty Images)

Os argentinos iniciaram nesta quinta-feira (19) a quarta greve geral desde o início do governo de Javier Milei, em 2023. A paralisação é contra a reforma trabalhista do governo ultraliberal que, conforme denunciam as centrais sindicais, sucateia as condições e direitos dos trabalhadores do país.


Os protestos ocorrem no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados vota, a partir das 14h (mesmo horário em Brasília), a proposta de Milei, já aprovada pelo Senado argentino na semana passada. O projeto reduz indenizações, permite pagamentos em bens ou serviços, estende a jornada diária de trabalho para até 12 horas e limita o direito de greve, entre outros pontos.


A paralisação, que começou às 00h01 e durará 24 horas, foi convocada pela principal central sindical do país. Trens, metrôs, ônibus e aviões não circularam na manhã da quinta e, na noite passada, houve protestos em vários cruzamentos de Buenos Aires.


“Queremos dizer ao governo que o povo não lhe deu o voto para que lhe tire direitos”, declarou nesta quarta-feira Cristian Jerónimo, um dos secretários-gerais da Confederação Geral do Trabalho (CGT), que antecipou que a medida de força será “contundente”.


Os principais sindicatos do transporte de passageiros aderiram inicialmente ao protesto. Além disso, 255 voos foram cancelados, em uma medida que afeta 31 mil passageiros, informou a Aerolíneas Argentinas.


Também aderiram os trabalhadores portuários, que paralisam importantes terminais como o de Rosário, um dos maiores exportadores de produtos agrícolas do mundo.


Governo promete violência

O governo divulgou na terça-feira (17) um comunicado no qual advertiu a imprensa sobre o “risco” de cobrir os protestos e estabeleceu uma “zona exclusiva” em uma das ruas laterais da praça para a instalação dos meios de comunicação.


“Diante de fatos de violência, nossas forças atuarão”, diz o texto do Ministério da Segurança, que recomendou aos jornalistas “evitar posicionar-se entre eventuais focos de violência e o pessoal das forças de segurança”.


Embora a greve da CGT vá ocorrer sem mobilização, diferentes sindicatos e agrupações políticas anunciaram que marcharão até a Praça do Congresso, no centro de Buenos Aires.


Na semana passada, quando o projeto de reforma trabalhista foi debatido pelo Senado, milhares de pessoas se reuniram em manifestações que terminaram em confrontos com a polícia e cerca de trinta detidos.


A Argentina apresenta sinais de queda na atividade industrial, com mais de 21 mil empresas fechadas nos últimos dois anos e a perda de cerca de 300 mil postos de trabalho, segundo fontes sindicais.


Do Brasil de Fato

 
 
 

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