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Argentinos recorrem à carne de burro contra a fome diante de crise econômica

  • há 30 minutos
  • 2 min de leitura
Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em 2023 (Getty Images)
Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em 2023 (Getty Images)

Durante a crise econômica, com o preço da carne bovina nas alturas, os argentinos têm aumentado o consumo de carne de burro nos pratos do dia a dia. A alta procura pelo alimento surpreendeu o mercado agropecuário da Argentina.


Segundo o jornal argentino Página12, a forte alta no preço da carne bovina nos últimos meses - superior a 10% em apenas um mês - transformou o produto em item de luxo, frustrando promessas de campanha do presidente Javier Milei de redução de custos e impactando diretamente o consumo.


Vendida por cerca de 7,5 mil pesos o quilo, aproximadamente R$ 27,28 na cotação atual, a carne de burro tem sido consumida com frequência em face de a carne bovina já ter ultrapassado o montante de 25 mil pesos argentinos, cerca de R$ 90, o quilo, em alguns estabelecimentos espalhados pelo país.


A venda da carne de burro foi liberada pelo Ministério da Produção de Chubut, órgão governamental da província de Chubut, na Patagônia argentina.


Em entrevista à Rádio 750, Gonzalo Moreira, dono de um açougue na cidade de Buenos Aires, citou que o consumo de carne bovina chegou a cair 20%, refletindo um cenário de pressão econômica mais ampla, marcado por inflação persistente e perda de poder de compra. “Estamos enfrentando uma recessão importante. Não conheço comerciante que não esteja passando por dificuldades. O setor está sendo muito pressionado, mesmo sem grandes variações de preço. Tudo é pago com cartão, empurrado para frente”,


Crise na Argentina

(Martin Cossarini/picture alliance via Getty Images)
(Martin Cossarini/picture alliance via Getty Images)

A crise econômica na Argentina está diretamente associada à escalada persistente da inflação, que continua pressionando o custo de vida e corroendo o poder de compra da população. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) mostram que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 3,4% em março, mantendo a trajetória de aumentos sucessivos ao longo dos últimos dez meses.


No acumulado de 12 meses, a inflação atingiu 32,6%, refletindo um cenário de instabilidade macroeconômica e dificuldades no controle dos preços. O novo avanço inflacionário ocorre sob o governo de Javier Milei, que assumiu a presidência em dezembro 2023.


Desde que assumiu, Milei implementou um amplo programa de reformas econômicas. Entre as medidas, estão a paralisação de obras federais e a suspensão de repasses para as províncias, além da retirada de subsídios em áreas como energia, transporte e serviços essenciais, o que contribuiu para a elevação dos preços ao consumidor.

 
 
 
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