Argentinos transformam peregrinação religiosa em marcha contra Milei

Nesta sexta-feira, como todo dia 7 de agosto, a Igreja Católica celebra a festa de São Caetano, data que marca o aniversário de sua morte, em 1547, e mobiliza milhões de fiéis em todo o mundo.
Por ocasião da celebração, milhares de argentinos foram à Basílica de São Caetano — padroeiro do pão e do trabalho — em um dia de tradicional mobilização sindical que, nos últimos anos, tem servido de protesto contra as medidas de austeridade do presidente Javier Milei.
Convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), sindicatos e organizações sociais, a multidão marchou em direção à Praça de Maio, em frente à sede do governo, sob o lema "paz, pão, teto e trabalho argentino", rejeitando as severas políticas socioeconômicas implementadas pelo presidente Javier Milei.
O dia de celebração serviu de palco para tornar visível o profundo descontentamento popular causado pelo desemprego, pelas demissões no setor público e pela perda do poder de compra.
Os participantes exigiram, de forma contundente, a garantia do direito ao trabalho digno e à segurança alimentar, diante da rápida deterioração das condições de vida nos bairros populares e da constante alta das tarifas e da inflação.
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, compareceu à manifestação e ressaltou que a presença massiva da população reflete o sofrimento das famílias endividadas pela crise. O líder opositor destacou ainda que a mobilização demonstra a firme determinação do povo argentino em defender a soberania e rejeitar a venda do patrimônio público a interesses corporativos.
A concentração desta sexta-feira foi precedida por uma missa no santuário de São Caetano, no bairro de Liniers, na zona oeste da cidade. O ato ocorre um dia após um protesto em frente ao Congresso contra um projeto de lei sobre a inviolabilidade da propriedade privada, promovido por Milei, durante o qual houve confrontos com a polícia.
Durante a homilia, o arcebispo de Buenos Aires, Dom Jorge García Cuerva, criticou duramente as consequências do atual modelo econômico. Diante da multidão reunida em Liniers, a principal autoridade da Igreja portenha proferiu sua mensagem sob o título "Que se multiplique a justiça social".
Assim, o evento religioso entrelaçou-se com a mobilização popular que exige respostas para a crise socioeconômica que o país atravessa. "O povo não quer se resignar a ver o trabalho transformado em mercadoria, nem ter de manter dois ou três empregos para chegar ao fim do mês, nem cair na armadilha de créditos que endividam milhares de famílias", ressaltou García Cuerva.
O prelado denunciou que, enquanto isso acontece, existe "uma classe dirigente que parece olhar para outro lado" e que concentra "toda a sua energia em desqualificações e debates estéreis que não resolvem a vida de ninguém".
No mesmo tom, questionou os funcionários que têm "o olhar nublado por ideologismos que, mais tarde, chocam-se com a realidade cotidiana". "Mas apenas lamentar não resolve nada", reconheceu o arcebispo, pedindo às lideranças que "multipliquem o diálogo, a busca por consensos, o bem comum e as oportunidades de trabalho", bem como "que multipliquem a justiça social".
As plataformas sindicais alertaram que continuarão nas ruas para frear as medidas de flexibilização trabalhista e impedir o desmantelamento das redes de proteção econômica comunitária.
Há 10 anos, todo dia 7 de agosto, a Igreja Católica celebra a festa de São Caetano. A data reúne comunidades inteiras que vão aos santuários para agradecer pelo sustento recebido ou pedir ajuda diante de situações de desemprego.
Da Telesur











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