Assédio na Caixa: MP do Trabalho realiza inspeção na sede

Atualizado: 5 de jul.


Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa, demitido por assédio sexual e moral contra funcionárias (Foto: Wikipédia)

O Ministério Público do Trabalho (MPT) realizou, na manhã desta segunda-feira (4), inspeção na sede da Caixa Econômica Federal, em Brasília, no âmbito das denúncias de assédio sexual que na semana passada levaram à renúncia do então presidente do banco público, Pedro Guimarães.

Segundo informações do MPT, o objetivo é averiguar a dinâmica de funcionamento e circulação de pessoas no gabinete da presidência da Caixa, bem como em outros ambientes ocupados pela cúpula do banco público. O procedimento é usual nesse tipo de investigação.

Ainda de acordo com o órgão, não houve encontro entre o procurador titular do MPT Paulo Neto, responsável pelo caso, e a nova presidente da Caixa, Daniella Marques. Ele foi recebido pelo diretor jurídico do banco, Gryecos Attom Valente Loureiro.

Em despacho, o procurador decidiu incluir também o assédio moral entre os supostos crimes denunciados, além do assédio sexual.

Na semana passada, o MPT notificou a Caixa e também Guimarães a se manifestarem sobre as denúncias. O então vice-presidente do banco Celso Leonardo Barbosa, citado nas acusações, também foi notificado.

Nesta segunda-feira (4), o Tribunal de Contas da União (TCU) também abriu investigação para apurar as denúncias de assédio sexual dentro da Caixa. A atuação do órgão no caso foi justificada devido à potencial violação dos princípios da moralidade em instituição da administração pública federal.

Em nota divulgada na semana passada, a Caixa afirmou que “repudia qualquer tipo de assédio” e que há investigação em curso para apurar os casos. “A investigação corre em sigilo, no âmbito da Corregedoria, motivo pelo qual não era de conhecimento das outras áreas do banco”, diz o texto.

Ligações perigosas

O agora ex-presidente da Caixa, com fortes ligações com o presidente Jair Bolsonaro, é casado com Manuella Pinheiro Guimarães, filha do dono da OAS Léo Pinheiro, condenado por pagar propinas em troca de favorecimentos para a empreiteira, conforme revelou o Globo nesta segunda-feira. Léo Pinheiro teve a pena reduzida - de 10 anos e 8 meses para 3 anos e 6 meses em regime semiaberto - após assinar uma delação premiada no âmbito da Lava Jato para envolver o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no caso do triplex.

Antes de ser nomeado por Bolsonaro para presidir a Caixa, Guimarães comandava o banco privado Brasil Plural, um banco de investimentos com forte presença nos setores de petróleo e imobiliário, em que o sogro atuava.

Nesta segunda-feira, Manuella Pinheiro usou sua conta em uma rede social para defender a família, após as acusações de assédio sexual que levaram à demissão do marido. Ela disse que o casal tem sido alvo de "ataques deliberados e impiedosos" e que querem "destruir" sua família. Manuella recebeu apoio da primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

"Sabíamos que na luta pelo Brasil haveria deslealdade, inveja, sordidez e falsidade. Sabíamos que seriam acompanhados de ataques deliberados e impiedosos com objetivo único de destruir nossa família", escreveu Manuella no Instagram.

Michelle, mulher do presidente Jair Bolsonaro, respondeu a publicação escrevendo "querida".

Vice-presidente também é afastado

A nova presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques Consentino, afirmou nesta segunda-feira em entrevista à Globo News que afastou o vice-presidente Antonio Carlos Ferreira e seis funcionários vinculados à presidência do banco após o escândalo de assédio sexual na instituição.

"O vice-presidente de logística será realocado para outra área....e hoje de manhã afastamos o chefe de gabinete (da presidência) e cinco consultores", disse Consentino na entrevista.

Ela disse também que vai criar um canal de diálogo exclusivo com funcionárias do banco para receber denúncias.

"Estou plantando uma semente...é inaceitável esse tipo de comportamento (assédio). Somos o único banco que está em todas as cidades do país e isso é uma oportunidade única de conscientizar as mulheres", enfatizou.

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